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Domingo, 24 de Maio 2026
Comunidade

Brasileira é expulsa de autoescola no Japão por ter tatuagem

Caso reacende debate sobre preconceito e restrições culturais no país

RPJNews
Por RPJNews
Brasileira é expulsa de autoescola no Japão por ter tatuagem
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TÓQUIO — A tatuagem no Japão ainda é um tema cercado de tabus, preconceitos e restrições, mesmo em uma sociedade que se apresenta moderna e globalizada. O recente caso da brasileira Angélica Bueno , de 26 anos, moradora de Kosai, na província de Shizuoka, ilustra como essa questão ainda é sensível no país.

Angélica foi impedida de continuar seu curso intensivo de direção na autoescola SEIBU, em Nagoya, província de Aichi, após um instrutor notar uma pequena tatuagem no pulso. A jovem havia se matriculado em um curso de 15 dias, que exigia estadia no alojamento da instituição, mas foi dispensada já no segundo dia de aulas práticas.

Segundo o relato da estudante, o instrutor interrompeu a aula assim que percebeu a tatuagem que aparecia sob a manga da blusa. Em seguida, ela foi conduzida à administração da escola, onde recebeu a informação de que não poderia prosseguir no curso. A brasileira afirmou ainda que foi pressionada a assinar um termo, como se tivesse desistido voluntariamente das aulas.

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Inconformada, Angélica procurou a RPJ News Japan, denunciando discriminação e alegando que outros alunos — japoneses e estrangeiros — também possuíam tatuagens, mas não foram punidos. O caso levantou questionamentos sobre a falta de uniformidade e transparência nas regras aplicadas a estudantes com tatuagens no país.

A tatuagem no Japão tem uma história complexa e contraditória. Antigamente usada por povos indígenas locais como forma de status, proteção e identidade, ela passou a ser associada à criminalidade e à Yakuza durante o período Edo (1603–1868). A prática chegou a ser proibida em 1872 e, mesmo após a legalização no século XX, o preconceito social permaneceu.

Ainda hoje, pessoas tatuadas podem ser impedidas de entrar em academias, termas públicas (onsen), piscinas e parques aquáticos, além de enfrentarem restrições profissionais. O estigma é tão forte que muitos japoneses escondem as tatuagens até mesmo da família ou dos colegas de trabalho.

Enquanto isso, no Brasil, a tatuagem é amplamente aceita e vista como forma de expressão e liberdade, sendo comum em diferentes faixas etárias e contextos sociais. De símbolo marginal, tornou-se uma manifestação de arte e identidade pessoal.

O caso de Angélica expõe um contraste cultural evidente — e um dilema que o Japão ainda precisa enfrentar: até que ponto a tradição deve se sobrepor aos direitos individuais?

No país onde eficiência e rigor são valores de orgulho, parece que aceitar a diversidade ainda é um desafio.

Histórico das tatuagens no Japão

As tatuagens japonesas (irezumi) surgiram há mais de 2.000 anos, usadas por tribos locais como símbolo espiritual e de status. Com o passar dos séculos, tornaram-se marca de criminosos e, mais tarde, associadas à Yakuza. Mesmo após a legalização em 1948, o estigma permanece forte — refletindo o desafio entre tradição e modernidade no Japão contemporâneo.

FONTE/CRÉDITOS: Da redação
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Reportagem comunitária integrando brasileiros no exterior

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