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Comunidade

Abandono de bebês no Japão expõe realidade preocupante

Hospital de Tóquio recebeu 20 recém-nascidos em pouco mais de um ano; casos reacendem debate sobre pobreza, abuso e vulnerabilidade social.

ERINA OGURA
Por ERINA OGURA
Abandono de bebês no Japão expõe realidade preocupante
Hospital San-ikukai em Tóquio
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O abandono de bebês e crianças no Japão, um tema que por muitos anos circulou apenas como relatos isolados ou boatos, ganha contornos cada vez mais concretos com a divulgação de números oficiais. O Hospital San-ikukai, no bairro de Sumida, em Tóquio, informou que recebeu 20 bebês em sua incubadora desde a inauguração do serviço, em março de 2025.

O equipamento foi criado para receber, de forma anônima, recém-nascidos de até quatro semanas de vida cujos pais afirmam não ter condições de criá-los. Segundo o hospital, a maioria dos bebês foi deixada nas primeiras 24 horas após o nascimento.

Os dados revelam ainda que 20 mulheres procuraram atendimento pelo sistema de parto confidencial, modalidade em que a identidade da mãe é conhecida apenas por profissionais autorizados. Destas, sete efetivamente deram à luz utilizando esse sistema.

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A incubadora do Hospital San-ikukai é apenas a segunda do Japão. A primeira, conhecida como "Konotori no Yurikago" (Berço da Cegonha), foi inaugurada em 2007 no Hospital Jikei, na província de Kumamoto, e já acolheu cerca de 170 bebês até o ano passado.

Após o acolhimento inicial, os recém-nascidos permanecem sob os cuidados do hospital até serem encaminhados aos serviços de proteção infantil, responsáveis por encontrar famílias acolhedoras ou adotivas.

Os números levantam um debate que vai além das estatísticas. Como um país considerado uma das maiores economias do mundo, com baixos índices de desemprego e reconhecido pela estabilidade social, ainda convive com um número significativo de bebês abandonados?

Especialistas apontam que a resposta não está apenas na economia. Gravidezes indesejadas, violência doméstica, abuso sexual, isolamento social, pobreza oculta, problemas de saúde mental e o medo do estigma social figuram entre os principais fatores que levam mulheres a tomar decisões extremas.

Na inauguração da incubadora, o diretor do Hospital San-ikukai, Hitoshi Kato, afirmou que a iniciativa surgiu diante da repetição de tragédias envolvendo bebês abandonados e mortes decorrentes de abusos. Segundo ele, o objetivo é salvar vidas enquanto a sociedade busca soluções para que, um dia, esse tipo de estrutura deixe de ser necessária.

O caso evidencia uma realidade muitas vezes invisível aos olhos do mundo. A prosperidade econômica, por si só, não elimina problemas sociais profundos. O abandono de bebês no Japão mostra que vulnerabilidades familiares e emocionais também podem existir em países considerados desenvolvidos, reforçando a necessidade de políticas públicas voltadas ao acolhimento, à prevenção e ao apoio às mulheres em situação de risco.

FONTE/CRÉDITOS: Japantoday

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ERINA OGURA

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ERINA OGURA

Jornalista e escritora-Assessoria e professora

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