Começou no Tribunal Distrital de Osaka o julgamento de Satomi Yamaji, 35 anos, acusada de abandonar os corpos de dois bebês recém-nascidos em diferentes ocasiões. Logo na primeira audiência, realizada no dia 29, a ré confessou integralmente as acusações.
Segundo a denúncia, Yamaji, que trabalhava em uma sex shop no distrito de Kita, em Osaka, colocou os corpos dos recém-nascidos em sacos plásticos e os abandonou entre janeiro e abril deste ano.
Na exposição inicial do caso, a promotoria afirmou que a mulher realizou um teste de gravidez, obteve resultado positivo e percebeu que estava grávida, mas decidiu não procurar atendimento médico durante a gestação.
Durante o interrogatório, Yamaji declarou que não possuía inscrição no sistema de seguro social nem no Seguro Nacional de Saúde do Japão e, por isso, temia não conseguir arcar com as despesas hospitalares.
"Eu tinha medo de ir ao hospital porque não sabia quanto custaria, já que não tinha seguro", afirmou a acusada, segundo a promotoria.
Além deste processo, a mulher também foi formalmente denunciada por um caso semelhante ocorrido entre 2022 e 2023, quando teria dado à luz outro bebê e abandonado o corpo dentro de um saco plástico colocado em uma caixa de papelão.
Casos semelhantes se repetem no Japão
Embora provoquem forte comoção na sociedade japonesa, casos de abandono de recém-nascidos infelizmente não são incomuns no país. Todos os anos, a polícia registra ocorrências envolvendo mulheres que dão à luz sozinhas, escondem a gravidez e abandonam os bebês — vivos ou mortos — em residências, banheiros, áreas públicas ou recipientes de lixo.
Casos estão relacionados ao medo da gravidez não planejada, isolamento social, dificuldades financeiras, transtornos psicológicos e receio de buscar ajuda médica. Organizações de assistência e autoridades japonesas têm reforçado campanhas para incentivar gestantes em situação de vulnerabilidade a procurar apoio antes do parto, evitando que tragédias como essa se repitam.
O julgamento de Satomi Yamaji continua, e a Justiça japonesa deverá analisar as circunstâncias dos crimes antes de definir a sentença.
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