Um cidadão turco de 48 anos morreu enquanto estava detido na Delegacia de Takao, da Polícia Metropolitana de Tóquio, após relatar fortes dores abdominais no dia anterior. O caso foi confirmado pelas autoridades nesta semana e volta a levantar questionamentos sobre o tratamento dispensado a estrangeiros sob custódia no Japão.
Segundo a polícia, o homem foi preso em 25 de junho após se envolver em um acidente de trânsito com danos materiais e não portar o cartão de residência nem outros documentos exigidos pela legislação de imigração.
No dia 1º de julho, ele reclamou de dores no estômago e foi avaliado por um médico, que concluiu não haver necessidade de internação hospitalar. Já na madrugada do dia 2, foi encontrado desacordado em um banheiro do centro de detenção, em parada cardiorrespiratória. Apesar de ter sido socorrido e encaminhado a um hospital, teve a morte confirmada pouco depois.
A Polícia Metropolitana de Tóquio informou que a autópsia apontou morte por doença, considerada de causas naturais, mas abriu uma investigação para esclarecer todas as circunstâncias do ocorrido.
O episódio reacende um debate que há anos preocupa organizações de direitos humanos e entidades de apoio aos imigrantes. Casos envolvendo atendimento médico insuficiente, mortes sob custódia e denúncias de tratamento inadequado a estrangeiros já foram registrados tanto no Japão quanto em outros países que adotam políticas migratórias rigorosas.
Um dos casos mais emblemáticos ocorreu em março de 2021, quando Wishma Sandamali, cidadã do Sri Lanka, morreu enquanto estava detida no Centro Regional de Imigração de Nagoya. Mesmo após relatar repetidamente problemas de saúde e solicitar atendimento médico, ela não recebeu assistência considerada adequada. Sua morte provocou forte repercussão internacional, levou sua família a mover uma ação contra o governo japonês e intensificou o debate sobre a necessidade de reformas no sistema de detenção de imigrantes.
O novo caso reforça as discussões sobre a responsabilidade das autoridades em garantir assistência médica adequada e preservar a dignidade e os direitos fundamentais de todas as pessoas sob custódia, independentemente de sua nacionalidade ou situação migratória.
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