A comerciante Adriana Yoshikai, brasileira, está vivendo um verdadeiro pesadelo em solo japonês. Desde que se mudou para a cidade de Iwakura-shi, na província de Aichi, sua vida virou alvo de ataques de uma vizinha aposentada, identificada como Sátiko, que não esconde o preconceito e a hostilidade.
Segundo Adriana, os episódios começaram com palavras racistas e atitudes hostis, mas se intensificaram nos últimos meses, embalados pelos discursos xenofóbicos que vêm ganhando espaço no Japão. Em vídeo, a própria vizinha chega a reforçar esse tipo de discurso, repetindo frases como:
“Use máscara, tape o rosto, porque você é estrangeira”
“Estrangeiro é porco”
Além das ofensas verbais, Sátiko passou a bater nos vidros dos carros da família da comerciante e até mesmo nos veículos de clientes que frequentam o salão de Adriana.
Cansada das humilhações, Adriana procurou ajuda com Toshio Sudo, que compareceu ao local acompanhado de policiais. Em entrevista à RPJNEWS, ela desabafou sobre o sofrimento que vem enfrentando e fez um alerta:
“Não devemos nos calar. Temos nossos direitos. A discriminação em Aichi é muito forte. Eu mesma considero esta província a que mais registra casos de xenofobia contra estrangeiros.”
Apesar da gravidade, Adriana optou por não dar continuidade ao processo judicial. Isso porque o filho de Sátiko passou a vigiar a mãe e tentar impedir novos ataques. Mas o trauma permanece.
VEJA A REPORTAGEM DA RPJNEWS
Casada com um japonês e vivendo há mais de oito anos no Japão, Adriana revela que pensa em retornar ao Brasil para recomeçar a vida ao lado da família. Proprietária do NS Academy, espaço voltado para estética e cuidados com o corpo, também atua como tatuadora atendendo estrangeiros e japoneses. Adriana teme que a hostilidade contra estrangeiros continue crescendo.
O alerta
Casos como o de Adriana mostram que a xenofobia no Japão, muitas vezes silenciosa, pode explodir em episódios de agressão e humilhação. O que começa como “palavras de ódio” pode terminar em violência física. E é exatamente por isso que ela faz questão de deixar um recado para outros estrangeiros:
“Não aceitem calados. A voz de cada um pode proteger toda a comunidade.”