A RPJNEWS traz mais um caso envolvendo denúncias de violência entre brasileiros no ambiente de trabalho no Japão. Desta vez, a denúncia parte de Miura Marcos Takeshi, de 64 anos, nikkei casado com uma brasileira, que afirma ter sofrido uma agressão física grave dentro da empresa onde trabalhava.
Segundo Miura, o caso ocorreu dentro da transportadora TSUKASA, onde prestava serviços por meio da empreiteira ISHIHARA YUGEN GAISHA. De acordo com o relato, a agressão aconteceu de forma repentina e pelas costas.
O trabalhador afirma que recebeu um forte chute na perna esquerda, na região do joelho, causando deslocamento da articulação e comprometimento severo da mobilidade. Em seguida, relata ter sido atingido por um soco no rosto, sofrendo intenso sangramento no nariz.
Segundo a denúncia apresentada à RPJNEWS, o suposto agressor seria Wagner Velasco Freire, brasileiro natural de Cuiabá, atualmente residente na cidade de Toyota, província de Aichi.
Miura afirma que toda a situação teria sido registrada pelas câmeras de segurança da fábrica. Mesmo assim, segundo ele, nem a empresa nem a empreiteira teriam tomado providências imediatas.
De acordo com o trabalhador, na tentativa de evitar envolvimento policial e maiores problemas internos, ele teria sido orientado apenas a lavar os ferimentos. Ainda segundo o relato, o responsável pela empreiteira, identificado como Ishihara, teria oferecido dinheiro ao funcionário logo após o episódio.
“Pega 10 mil ienes e vai almoçar com a esposa”, teria dito o encarregado, conforme o depoimento de Miura.
O trabalhador afirma ainda que pediu para acionarem a polícia e uma ambulância, mas o atendimento não teria sido realizado naquele momento.
Segundo Miura, somente mais tarde um tradutor o acompanhou até a delegacia para registrar boletim de ocorrência, após o suposto agressor continuar fazendo ameaças de novas agressões fora da fábrica.
Mesmo lesionado, o trabalhador relata que ainda permaneceu em atividade por mais dois dias. No entanto, as dores e o inchaço no joelho teriam aumentado significativamente.
Quando decidiu procurar atendimento médico, Miura afirma que teria sido alertado por um encarregado de que o patrão não desejava que ele continuasse trabalhando caso fosse ao hospital.
Após exames, incluindo raio-x e ressonância magnética, médicos constataram comprometimento grave no joelho. Segundo o trabalhador, inicialmente o empregador teria prometido arcar com os custos médicos, mas posteriormente voltou atrás, aceitando pagar apenas a primeira consulta.
Como o caso já havia sido registrado na polícia, Miura afirma que não conseguiu utilizar normalmente o Shakai Hoken. Sem condições financeiras e enfrentando dificuldades, procurou ajuda junto a um sindicato trabalhista, que conseguiu enquadrar o caso no Rosai Hoken — seguro japonês destinado a acidentes de trabalho.
Mesmo após um ano de fisioterapia e uso contínuo de medicamentos, Miura relata que continua sem conseguir forçar o joelho e ainda sofre com dores intensas. Segundo ele, já são 16 meses sem receber salário.
A situação teria se agravado após o encerramento do benefício do Rosai. Recentemente, o trabalhador afirma ter recebido diversos boletos relacionados ao Shakai Hoken, acumulando valores que diz não possuir condições de pagar.
Hoje, Miura depende financeiramente da esposa e aguarda uma definição judicial e trabalhista para o caso.
A situação levanta novos questionamentos sobre a proteção oferecida aos trabalhadores estrangeiros no Japão, principalmente em episódios envolvendo agressão física dentro do ambiente profissional.
A RPJNEWS também chama atenção para o aumento de conflitos entre brasileiros em fábricas japonesas. Casos de violência, ameaças e intimidação têm se tornado recorrentes, frequentemente acompanhados de denúncias de omissão por parte de empreiteiras, medo de denunciar e insegurança trabalhista.
A reportagem procurou Wagner Velasco Freire, mas até o fechamento desta matéria não houve manifestação.
A equipe também entrou em contato com o senhor Ishihara, responsável pela empreiteira ISHIHARA YUGEN GAISHA. Segundo ele, a responsabilidade pelo caso estaria atualmente com o sindicato trabalhista. Até o momento, porém, a situação de Miura seguia sem solução definitiva.
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