O Tribunal Distrital de Asahikawa, na província de Hokkaido, no Japão, realizou nesta semana a primeira audiência do julgamento de Riko Uchida, de 23 anos, acusada de homicídio, atentado ao pudor sem consentimento com resultado morte e cárcere privado. O caso envolve a morte de uma estudante do ensino médio de apenas 17 anos, ocorrida em abril de 2024, após a jovem cair de uma ponte e se afogar em um rio.
Segundo a acusação, Uchida teria agido em conjunto com outra mulher, então com 19 anos — já condenada a 23 anos de prisão pelo crime — para perseguir, agredir e humilhar a adolescente antes da morte.
De acordo com os promotores, a vítima foi encurralada dentro de um veículo, sofreu agressões físicas e foi obrigada a retirar as roupas em uma situação em que não tinha condições de reagir ou recusar. Em seguida, ela teria sido levada até uma ponte na cidade de Asahikawa.
A acusação afirma que as suspeitas mandaram a adolescente sentar no parapeito da ponte enquanto gritavam frases como “Morra” e “Cai logo”. Em determinado momento, segundo o Ministério Público japonês, a jovem acabou caindo no rio e morreu afogada.
Durante a audiência, Riko Uchida negou ter intenção de matar a estudante e afirmou que não empurrou a vítima da ponte.
“Eu não tinha intenção de matá-la e não a fiz cair”, declarou a acusada perante o tribunal.
A defesa argumenta que Uchida deve responder apenas pelos crimes de cárcere privado e atentado ao pudor sem consentimento. Os advogados sustentam que a ré acreditava que a adolescente conseguiria pedir ajuda e voltar para casa sozinha, já que o celular e dinheiro da vítima teriam sido deixados próximos ao local.
O caso ganhou enorme repercussão no Japão após a divulgação de detalhes da investigação, incluindo relatos de agressões filmadas por chamada de vídeo e testemunhos sobre o desespero da vítima, que teria gritado por socorro momentos antes da queda.
A promotoria, porém, sustenta que, mesmo que a vítima não tenha sido empurrada diretamente, as ameaças, intimidações e agressões praticadas pelas acusadas criaram a situação que levou à morte da adolescente, caracterizando homicídio.
As autoridades japonesas consideram Uchida uma das líderes do grupo envolvido no crime. O julgamento segue nos próximos dias e continua gerando forte comoção pública no Japão.
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