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O endurecimento da política migratória em Portugal tem provocado medo e insegurança entre brasileiros que vivem no país. Muitos relatam dificuldades para renovar documentos devido à demora da Aima (Agência para a Integração, Migrações e Asilo) e temem ser detidos pela nova polícia especializada em estrangeiros, criada em agosto.
O receio cresceu após episódios recentes de deportações e detenções. Um dos casos mais comentados foi o de uma brasileira que retornava a Lisboa depois de férias no Recife: ela foi separada do marido e dos filhos pequenos e enviada de volta ao Brasil, já que ainda aguardava a autorização de residência. Outros estrangeiros — entre eles dois brasileiros — estão atualmente detidos no Centro de Instalação Temporária, à espera de decisões judiciais.
A demora na regularização tem impacto direto no dia a dia de imigrantes. A arquiteta paulista Amanda Turchetto, que vive em Vila Nova de Gaia desde 2019, viu sua autorização de residência vencer em julho sem conseguir atendimento na Aima. Seu filho, de dez anos, está na mesma situação desde março. O marido, chef de cozinha, é o único da família com documentos em dia.
Amanda relata que até mesmo serviços bancários estão ameaçados: “A gerente já me alertou que, se o problema não for resolvido até outubro, perderei acesso à conta. Agora não consigo comprar nem uma televisão em três vezes, algo que antes era simples. Quando cheguei, abrir conta e financiar um imóvel era rápido. Hoje, parece impossível”, afirma.
Especialistas observam que Portugal segue uma tendência global de endurecimento das regras para imigrantes. Nos Estados Unidos, as medidas de Donald Trump miravam principalmente estrangeiros em situação irregular. Já no Japão, a pressão contra imigrantes ocorre de forma diferente: trata-se de uma discriminação mais direta e escancarada, impulsionada por setores da direita nacionalista.
Brasileiros lideram impacto da restrição de visto para trabalhar em Portugal
No dia 2 de junho, o governo notificou 34 mil imigrantes para deixarem o país em até 20 dias. Desse total, 5.386 são brasileiros, o segundo maior grupo atingido. Essas notificações afetam pessoas com residência negada, documentos cancelados ou situação irregular.
Apesar do cenário, o número de vistos emitidos cresceu. Em 2024, foram 7.200 vistos de procura de trabalho para brasileiros, o que representa um aumento de 20% em relação a 2023. Dessa forma, especialistas temem que o novo projeto reverta esse avanço e limite o fluxo de profissionais.
O aumento das restrições evidencia que, mesmo em países historicamente vistos como destinos de oportunidades, a vida de imigrantes — inclusive brasileiros — tornou-se cada vez mais marcada pela incerteza e pelo medo.
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