TÓQUIO — A taxa de aprovação do gabinete da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi caiu para 55,8%, o menor índice registrado desde que ela assumiu o cargo, em outubro do ano passado. Os dados foram divulgados neste domingo por uma pesquisa da Kyodo News e refletem as crescentes preocupações da população com a economia e os impactos da instabilidade no Oriente Médio.
O levantamento foi realizado após os Estados Unidos e o Irã anunciarem um acordo preliminar de paz que incluiu a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo. Questionados sobre a possibilidade de o Japão enviar as Forças de Autodefesa para garantir a segurança da navegação na região, 54,7% dos entrevistados afirmaram que a medida não é necessária, enquanto 36,6% defenderam o envio das tropas.
A pesquisa também revelou que a alta do custo de vida continua sendo uma das principais preocupações dos japoneses. Entre os entrevistados, 43,9% apoiam a redução da alíquota do imposto sobre consumo de alimentos e bebidas dos atuais 8% para 1%, caso isso permita uma implementação mais rápida da medida. Outros 22,6% preferem a redução total para zero, conforme prometido pelos partidos da coalizão governista, mesmo que a mudança demore mais tempo para ser colocada em prática.
O índice de aprovação do governo recuou 5,5 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, realizada em maio. Já a taxa de desaprovação subiu para 27,9%, um aumento de 1,1 ponto percentual.
Durante a campanha eleitoral de fevereiro, a coalizão formada pelo Partido Liberal Democrático (PLD), liderado por Takaichi, e pelo Partido da Inovação do Japão prometeu congelar por dois anos o imposto de consumo sobre alimentos como forma de aliviar os efeitos da inflação.
Recentemente, porém, lideranças do PLD passaram a discutir uma proposta alternativa que reduziria a alíquota para 1% durante dois anos, a partir de abril de 2027. Segundo especialistas e autoridades tributárias, uma redução para zero exigiria adaptações mais complexas nos sistemas de cobrança e nos caixas dos estabelecimentos comerciais.
Outro tema abordado pela pesquisa foi o futuro da Família Imperial japonesa. A opinião pública mostrou-se dividida sobre a proposta que permitiria o retorno à Família Imperial de descendentes masculinos de antigos ramos colaterais que perderam o status imperial após a Segunda Guerra Mundial. A medida recebeu apoio de 44% dos entrevistados, enquanto 45,4% se declararam contrários.
O debate ocorre em meio à crescente preocupação com a sucessão ao Trono do Crisântemo. Atualmente, o número de herdeiros elegíveis continua diminuindo devido às regras da Lei da Casa Imperial, que restringem a sucessão aos homens da linhagem paterna imperial e determinam que mulheres da família percam seu status ao se casarem com cidadãos comuns.
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