Espaço para comunicar erros nesta postagem
DUBLIN — A brasileira Lays Mendes foi vítima de um ataque xenofóbico em Dublin, na Irlanda, que ganhou grande repercussão nas redes sociais. A jovem, que trabalha em um salão de beleza, relatou sofrer ofensas semanais de uma mesma mulher, que passa em frente ao local chamando-a de “assassina” e mandando “voltar para o seu país”.
Após o episódio mais recente, Lays registrou queixa na polícia, que ofereceu apoio psicológico e manteve contato com ela por telefone e e-mail. Segundo o relato, os agentes disseram que tomariam medidas legais caso as agressões verbais se repetissem.
O caso repercutiu internacionalmente, com cobertura de veículos como a BBC e o G1, e trouxe à tona uma discussão importante sobre o tratamento dado a estrangeiros e imigrantes em diferentes países.
Créditos-Canal da BBC NEWS
Situação semelhante foi registrada no Japão, onde a cabeleireira brasileira Adriana Yoshikai, moradora de Iwakura-shi, província de Aichi, também denunciou um episódio de discriminação e ofensas. A diferença, segundo observação da RPJ News, está na reação pública: enquanto na Irlanda a vítima recebeu mensagens de apoio e solidariedade, no Japão — especialmente dentro da comunidade brasileira — comentários nas redes sociais chegaram a culpabilizar a própria vítima, reproduzindo um comportamento de auto-discriminação e negação da xenofobia.
Para a RPJ News, esse contraste revela um problema mais profundo. No Japão, parte dos descendentes de brasileiros que vivem no país tende a minimizar ou até justificar atitudes discriminatórias, algo que não se observa em comunidades brasileiras de outros países. Essa postura enfraquece a luta contra o preconceito e reforça o discurso anti-imigrante que vem ganhando força entre políticos japoneses.
Canal RPJNEWS-Adriana Yoshikai
A redação da RPJ News avalia que o Brasil precisa adotar uma postura mais firme diante de casos de xenofobia envolvendo seus cidadãos no exterior. É necessário promover campanhas de orientação e apoio, além de pressionar governos estrangeiros para garantir respeito e segurança aos brasileiros.
Por outro lado, a falta de cobertura de grandes emissoras brasileiras com correspondentes no Japão — como Record, SBT e TV Cultura — também chama atenção. Embora mantenham repórteres no país, raramente abordam casos de discriminação, abusos ou preconceito, preferindo retratar o Japão de forma romantizada, distante da realidade vivida por parte dos imigrantes.
O caso de Lays Mendes, assim como o de Adriana Yoshikai, é um lembrete doloroso de que a xenofobia continua viva, mesmo em países considerados democráticos. A diferença está na forma como as sociedades — e suas próprias comunidades — enxergam e enfrentam o problema.
Nota Editorial – RPJ News:
A RPJ News reforça que a xenofobia não é um problema isolado nem exclusivo de uma nação. O que muda é a reação social diante dela. Enquanto alguns países oferecem acolhimento e suporte, outros preferem o silêncio e a omissão — inclusive de parte da própria comunidade brasileira. É urgente repensar a forma como o Brasil prepara seus cidadãos para viver fora do país e, principalmente, como se posiciona frente a agressões contra seus próprios compatriotas. Silenciar é compactuar.
Nossas notícias
no celular