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SETO, AICHI-KEN – JAPÃO. Uma brasileira identificada como Shelen Ayumi Gomes, moradora da cidade de Seto, na província de Aichi, enfrenta uma situação delicada após ter sua conta bancária bloqueada em meio a uma investigação policial relacionada a possíveis fraudes digitais.
Segundo o relato da brasileira, sua conta teria sido invadida por criminosos que estariam envolvidos em um esquema de golpes pela internet. A suspeita é de que os envolvidos tenham utilizado páginas falsas, que imitavam serviços de assistência do governo japonês, para obter informações pessoais de vítimas e utilizar esses dados em operações fraudulentas relacionadas ao recebimento de benefícios.
O problema ganhou proporções maiores quando a conta bancária de Shelen foi bloqueada e a instituição financeira acionou a polícia. A partir daí, segundo seu relato, ela passou a ser considerada suspeita no caso e precisou começar a reunir documentos e provas para demonstrar que também pode ter sido vítima da ação criminosa.
De acordo com a brasileira, a polícia informou que a conta permanecerá bloqueada até que os fatos sejam esclarecidos.
A situação também trouxe consequências financeiras para sua rotina. Com o dinheiro indisponível, pagamentos que já estavam programados acabaram atrasados.
"Tinha contas para pagar e atrasaram", relatou Shelen.
A brasileira afirma que está tentando reunir provas e esclarecer sua situação perante as autoridades. Até o momento, não há confirmação independente sobre a autoria da invasão, a extensão do esquema ou a participação de terceiros.
GOLPES DIGITAIS PREOCUPAM O JAPÃO
O caso ocorre em um momento de preocupação crescente das autoridades japonesas com crimes praticados pela internet.
Dados da Agência Nacional de Polícia do Japão (NPA) mostram que, em 2025, foram contabilizados 15.108 casos de crimes cibernéticos esclarecidos pela polícia, o maior número registrado na série apresentada no levantamento oficial.
Outro indicador preocupante envolve as fraudes financeiras. Em 2025, os registros de fraudes especiais, incluindo golpes praticados por meio de redes sociais, investimentos e relacionamentos virtuais, chegaram a aproximadamente 43 mil casos, com prejuízos estimados em 325,7 bilhões de ienes.
Os números demonstram a dimensão do problema e a capacidade de atuação das organizações criminosas no ambiente digital.
PÁGINAS FALSAS E FALSOS SERVIÇOS DO GOVERNO
Uma das estratégias utilizadas pelos golpistas é criar páginas que imitam sites oficiais de instituições públicas, bancos e serviços de assistência.
Ao acreditar que estão acessando um serviço verdadeiro, as vítimas podem acabar fornecendo nomes, endereços, números de identificação, dados bancários e outras informações pessoais.
Em fevereiro de 2026, a própria Agência Nacional de Polícia japonesa publicou um alerta sobre páginas falsas e anúncios fraudulentos que utilizam indevidamente nomes, imagens e identidades visuais de órgãos do governo para obter informações pessoais e enganar usuários.
Esse tipo de fraude pode abrir caminho para novas operações criminosas, como falsidade de identidade, utilização indevida de contas bancárias e transferências não autorizadas.
JAPONESES E ESTRANGEIROS ESTÃO EXPOSTOS
Os golpes digitais não atingem apenas a comunidade estrangeira. Japoneses também são alvos de fraudes bancárias, páginas falsas, mensagens fraudulentas e esquemas organizados por meio de redes sociais.
Os levantamentos nacionais mostram a dimensão do problema, mas não oferecem, nos dados citados nesta reportagem, uma divisão suficiente para afirmar qual nacionalidade concentra a maioria das vítimas.
Para estrangeiros que vivem no Japão, o problema pode ganhar dificuldades adicionais quando precisam lidar com procedimentos bancários, documentos e investigações em outro idioma.
O episódio envolvendo Shelen Ayumi Gomes, em Seto, reforça a importância de investigar possíveis invasões digitais e, ao mesmo tempo, garantir que pessoas cujas contas tenham sido utilizadas indevidamente possam apresentar provas e esclarecer sua situação.
Enquanto aguarda a solução do caso, a brasileira tenta recuperar o acesso à sua conta e demonstrar que não teve participação nas operações fraudulentas investigadas.
ALERTA: especialistas e autoridades recomendam desconfiar de links recebidos por mensagens, conferir cuidadosamente os endereços dos sites e nunca fornecer senhas, códigos de autenticação ou informações bancárias em páginas cuja autenticidade não tenha sido confirmada.
RPJNEWS – Informação para a comunidade brasileira no Japão.
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