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Um entregador de comida, de 45 anos e nacionalidade uzbeque, foi preso pela Polícia Metropolitana de Tóquio sob suspeita de ato obsceno contra uma estudante do ensino fundamental durante uma entrega em um apartamento no bairro de Setagaya, em Tóquio.
Segundo as informações divulgadas pela polícia e pela imprensa japonesa, o caso ocorreu em 5 de julho, quando a menina estava sozinha em casa. A família havia solicitado uma entrega de comida e a estudante foi até a porta para receber o pedido.
De acordo com a investigação, o entregador teria abraçado a menina, beijado seu rosto e tocado seu corpo por cima da roupa.
O suspeito foi identificado como Muminov Dilshod Komiljonovich, de 45 anos. A polícia informou que ele trabalha como entregador de comida.
Suspeito teria admitido
Durante o interrogatório, segundo a polícia, o homem teria admitido as acusações. A imprensa japonesa informou que ele declarou que a menina era “seu tipo” e que não conseguiu controlar os próprios sentimentos.
Segurança volta ao centro do debate
O caso chama atenção não apenas pela violência contra uma criança, mas também porque ocorreu dentro de uma situação cotidiana, envolvendo um serviço de entrega realizado na residência da família.
O Japão mantém uma imagem internacional de país seguro, mas os dados oficiais mostram que os registros criminais vêm aumentando nos últimos anos. Segundo a Agência Nacional de Polícia, foram registrados 774.142 crimes em 2025, quarto ano consecutivo de aumento desde o mínimo registrado em 2021.
Também houve crescimento expressivo em determinadas categorias. Em 2024, por exemplo, foram registrados 9.763 casos de crimes classificados como “obscenidade” (わいせつ), contra 7.605 em 2020. Dentro desse grupo, os casos de ato obsceno sem consentimento chegaram a 6.992 em 2024, contra 4.154 em 2020. Os registros de relações sexuais sem consentimento também aumentaram de 1.332 para 3.936 no mesmo período.
Violência doméstica e crimes contra mulheres e crianças
A preocupação também envolve situações que muitas vezes permanecem longe das ruas, como violência doméstica, perseguição, abuso infantil e crimes de natureza sexual. A própria Agência Nacional de Polícia mantém estatísticas específicas para violência praticada por cônjuges, stalking, abuso infantil e violência sexual contra crianças.
Para quem vive no Japão, especialmente famílias com crianças, casos como o ocorrido em Setagaya levantam uma questão prática: como manter a segurança em situações aparentemente rotineiras, como receber uma encomenda em casa?
Um alerta também para a comunidade brasileira
Para a RPJNEWS, informar casos dessa natureza é especialmente importante porque muitos brasileiros vivem no Japão com suas famílias e utilizam diariamente serviços de entrega, transporte, comércio e atendimento residencial.
A cobertura jornalística deve, entretanto, separar o fato criminoso da nacionalidade do suspeito. Neste caso, a nacionalidade uzbeque faz parte da identificação divulgada pelas autoridades, mas o crime é atribuído individualmente ao suspeito e não representa uma característica de uma comunidade ou nacionalidade.
O aumento dos registros criminais, juntamente com casos de violência doméstica, ataques aparentemente aleatórios e crimes sexuais, merece acompanhamento permanente. O objetivo do jornalismo não é criar medo, mas informar sobre uma realidade que precisa ser conhecida por quem vive no Japão.
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