AKITA, Japão – Diante do aumento alarmante de ataques de ursos no país, as Forças Terrestres de Autodefesa do Japão (GSDF) começaram na quarta-feira (6) a apoiar o governo da província de Akita, no nordeste do país, nas operações de controle e abate dos animais. O apoio será focado em logística e transporte, sem envolvimento direto em ações armadas.

O acordo foi firmado no mesmo dia entre o comando da GSDF e o governo provincial, com validade até 30 de novembro. Entre as tarefas atribuídas aos militares estão o transporte e a instalação de armadilhas, além do suporte técnico e operacional aos caçadores locais.

De acordo com a prefeitura, as atividades começaram no município de Kazuno e poderão ser estendidas a outras cidades conforme a necessidade. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, 13 pessoas já morreram em ataques de ursos desde abril, o maior número já registrado no Japão. Só em Akita, 60 ataques foram confirmados, resultando em quatro mortes.

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O apoio dos militares também inclui transporte de caçadores, abertura de áreas para o sepultamento das carcaças e uso de drones para coleta de informações sobre deslocamento dos animais.

“Queremos atuar em estreita cooperação com os municípios e com as Forças de Autodefesa para garantir a segurança da população”, afirmou o governador de Akita, Kenta Suzuki, durante a cerimônia de assinatura do acordo.

O comandante da 9ª Divisão da GSDF, Yasunori Matsunaga, destacou a gravidade da situação:

“Temos plena consciência de que os ataques de ursos representam um problema crítico para Akita. Atuaremos conforme as demandas locais, buscando ser o mais úteis possível.”

Os militares destacados estão baseados no Campo Akita, e a operação foi enquadrada legalmente como um projeto de transporte e apoio logístico, sem caráter de missão armada.

Enquanto isso, a Agência Nacional de Polícia estuda autorizar agentes a abaterem ursos com o uso de rifles, e o Ministério de Assuntos Internos e Comunicações planeja ajudar governos locais na contratação de profissionais qualificados para esse tipo de operação.

Nesta quarta-feira, cerca de 15 membros da GSDF auxiliaram caçadores civis no transporte de uma armadilha de caixa por um trajeto de 10 quilômetros em Kazuno. As ações devem continuar nesta quinta, com expansão para outras cidades, como Odate, que também solicitaram apoio.

Os integrantes da GSDF estão atuando equipados com coletes à prova de balas, escudos de proteção, bastões em formato de rifle e spray repelente de ursos — mas sem armas de fogo, conforme o Ministério da Defesa, que esclareceu que os soldados não são treinados para abater animais selvagens.

A Força já havia prestado apoio logístico em operações de controle de cervos, mas é a primeira vez que se envolve em uma ação contra ursos.

O governador Suzuki, que é ex-membro das Forças Terrestres, havia solicitado formalmente ao Ministério da Defesa, em outubro, o envio de tropas para auxiliar no controle dos ataques.

Entre abril e setembro, o Japão registrou mais de 20 mil avistamentos de ursos, cerca de 7 mil a mais que no mesmo período do ano passado, segundo o Ministério do Meio Ambiente — um reflexo do desequilíbrio ambiental e da escassez de alimento natural nas áreas florestais.

FONTE/CRÉDITOS: KYODO NEWS