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A família de Elisangela Aparecida Matsumoto, na época 28 anos e natural de Ribeirão Pires/SP, brasileira morta no Japão em 2006, decidiu tornar público o que classifica como uma trajetória de 20 anos de busca por respostas junto às autoridades brasileiras e japonesas.
A manifestação ocorre após, segundo relato dos familiares, a polícia informar que não poderia adotar medidas contra o homem apontado no caso devido à prescrição, em razão do tempo transcorrido desde o crime.
Para a irmã da vítima, Andreia Luciana, a informação provocou indignação na família e levantou questionamentos sobre a condução do caso ao longo das últimas duas décadas.
“Liguei para o Itamaraty e, além de serem mal-educados, disseram que eu era leviana”, afirmou Andreia.
Ela também declarou que procurou órgãos brasileiros e japoneses durante anos.
“Consulado no Japão e polícia japonesa, nada fizeram. Só agora, por causa de uma denúncia anônima”, acrescentou.
As declarações representam o relato da família e fazem parte da entrevista concedida à RPJNEWS.
Corpo foi encontrado em Ibaraki em 2006
Em 2006, o corpo de uma mulher foi encontrado em uma área de montanha na cidade de Sakuragawa, na província de Ibaraki.
Segundo informações relatadas pela família e atribuídas ao próprio homem apontado no caso, Elisangela teria sido estrangulada e esfaqueada. Posteriormente, seu corpo teria sido enrolado em um futon, tipo de colchão ou acolchoado utilizado no Japão, levado para uma área de montanha e incendiado.
Durante anos, porém, não havia, segundo a família, uma confirmação definitiva de que os restos mortais encontrados pertenciam a Elizangela.
A identificação foi confirmada posteriormente por meio de exame de DNA, após esforços da irmã da vítima.
Polícia teria informado sobre prescrição
Segundo a família, no dia 29 de julho, um agente identificado como Hideo Honda, da polícia de Ibaraki, informou que não poderia tomar novas providências contra o homem apontado como responsável devido ao tempo transcorrido e à prescrição aplicável ao caso.
O homem citado pela família é Roberto Kiyoshi Matsumoto, que, segundo informações obtidas pela reportagem e relatos apresentados pelos familiares, teria confessado o crime.
A situação surpreendeu familiares e integrantes da comunidade estrangeira, especialmente diante do longo período em que o caso permaneceu sem uma solução definitiva e da posterior confirmação da identidade da vítima.
A aplicação da prescrição e seus efeitos jurídicos dependem das circunstâncias específicas do caso e da legislação vigente à época dos fatos, além das informações e decisões das autoridades competentes.
Família afirma ter buscado ajuda no Brasil e no Japão
Andreia afirma que a família procurou autoridades e instituições no Brasil e no Japão durante os últimos 20 anos, incluindo o Itamaraty.
Segundo os familiares, também foram fornecidas informações e amostras necessárias para exames de DNA ao longo da busca pela localização de Elisangela.
Mesmo assim, a família afirma que permaneceu durante duas décadas sem informações conclusivas sobre o paradeiro da brasileira e sobre os restos mortais encontrados em Ibaraki.
Caso voltou à atenção das autoridades
Segundo informações apresentadas à RPJNEWS, uma denúncia anônima contribuiu para que o caso voltasse a ser discutido pelas autoridades.
A RPJNEWS teve acesso a relatos e informações que, segundo a família, não foram detalhados na cobertura inicial da imprensa japonesa, incluindo circunstâncias relacionadas ao retorno do caso às autoridades.
Por razões de segurança, a identidade da pessoa que teria feito a denúncia não será divulgada.
No dia 29 de julho, o caso também ganhou espaço na imprensa japonesa. Para a família, entretanto, a cobertura inicial não apresentou toda a sequência de acontecimentos e as tentativas realizadas ao longo dos últimos 20 anos.
Foi nesse contexto que os familiares procuraram a RPJNEWS para relatar sua versão dos fatos.
Família quer que a história seja esclarecida
Hoje, a família de Elisangela vive no Brasil e afirma continuar buscando esclarecimentos sobre o que ocorreu desde o desaparecimento da brasileira até a identificação de seus restos mortais.
Segundo informações obtidas pela reportagem, o marido de Elizangela permanece no Japão e é apontado pela família como o homem que teria confessado o crime.
Em entrevista à RPJNEWS, Andreia Luciana relata os anos de espera, as tentativas de obter ajuda, a confirmação da identidade por DNA e o que a família considera falhas e omissões na condução do caso.
Após duas décadas, a família afirma que não pretende mais permitir que a história permaneça no silêncio e espera que todos os fatos relacionados à morte de Elizangela sejam devidamente esclarecidos.

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