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O próprio governo japonês incentivou a entrada de trabalhadores estrangeiros para suprir a falta de mão de obra. No entanto, essa abertura ocorreu sem planejamento, sem políticas sólidas de orientação, inclusão ou integração social. Não foram oferecidos incentivos básicos para melhorar as condições de vida desses profissionais. Pelo contrário: a responsabilidade foi delegada a agências e empreiteiras, muitas delas marcadas por abusos, exploração e práticas fraudulentas — problemas que o governo ignorou por anos.
Agora, duas ministras surgem apontando o dedo justamente para esses trabalhadores. A narrativa é conveniente: culpar imigrantes por questões que vão da crise econômica ao endividamento do país, passando até pelo aumento da criminalidade — sendo que a maior parte desses crimes é cometida por japoneses.
Entre os brasileiros no Japão, a indignação é ainda maior. Após décadas contribuindo para o país, muitos se surpreenderam ao ouvir autoridades afirmarem que “sobrenome não significa nada”, desconsiderando a história dos nikkeis, sanseis e descendentes diretos reconhecidos oficialmente no koseki. Agora, parece haver uma tentativa de colocar brasileiros na mesma categoria generalizada de “estrangeiros problemáticos”, ignorando completamente a trajetória e o vínculo histórico dessas famílias com o Japão.
Erros aconteceram no começo, no meio e, ao que tudo indica, continuam acontecendo agora. E as consequências são evidentes: muitos estrangeiros já deixaram o país — e outros cogitam seguir o mesmo caminho — temendo que as atrocidades do passado se repitam. Afinal, o que se planta hoje será colhido amanhã.
Em vez de reconhecer falhas, admitir a falta de planejamento e assumir responsabilidades, o governo japonês aposta na narrativa mais fácil: transferir a culpa para quem tem menos voz, menos poder e menos proteção.
Uma coisa, porém, é certa: incompetência tem nome — e não é o estrangeiro.
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