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Terça-feira, 06 de Janeiro de 2026
HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DE NAGOYA SUSPENDE CIRURGIAS APÓS GRAVES ERROS MÉDICOS

Saúde

HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DE NAGOYA SUSPENDE CIRURGIAS APÓS GRAVES ERROS MÉDICOS

Falhas em cirurgias pediátricas levantam alerta sobre segurança hospitalar no Japão, onde casos semelhantes são mais comuns do que se imagina

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NAGOYA, Japão – Uma sequência de erros médicos graves levou o Hospital Universitário de Nagoya a suspender, por tempo indeterminado, as cirurgias no departamento de cirurgia pediátrica. A decisão expõe fragilidades nos protocolos de segurança de uma das instituições mais respeitadas do país e reacende o debate sobre a real dimensão das falhas médicas no sistema de saúde japonês.

Segundo informações divulgadas pelo próprio hospital, em 2023 ocorreu um erro considerado gravíssimo durante uma cirurgia endoscópica pediátrica, quando um médico retirou, por engano, o rim saudável de um paciente. O caso só veio a público após auditorias internas. Já em 2025, outro episódio chocou autoridades e familiares: um paciente morreu durante um procedimento cirúrgico semelhante.

As irregularidades não se limitaram a esses casos. Em dezembro, foi identificado que um médico utilizou um medicamento de forma incorreta após interpretar erroneamente sua eficácia, aplicando-o durante uma cirurgia. Diante da sucessão de falhas técnicas e de sérias preocupações éticas, a direção decidiu suspender todas as cirurgias pediátricas a partir de 9 de dezembro.

Em nota, o hospital informou que está encaminhando pacientes para outras unidades médicas. No entanto, em casos considerados excepcionais — como cirurgias de alta complexidade, em que a transferência poderia representar risco ainda maior — alguns procedimentos continuaram sendo realizados. Até o dia 27, três cirurgias ainda ocorreram na própria instituição.

Apesar da imagem internacional de excelência atribuída ao sistema de saúde japonês, especialistas e profissionais da área alertam que erros médicos no país são mais frequentes do que se costuma divulgar. A diferença, segundo críticos, está na baixa transparência e na dificuldade de acesso a informações detalhadas sobre falhas e responsabilizações.

O jornalista Beto Nagaki, que atualmente está no Brasil produzindo uma série de reportagens sobre diversos temas — incluindo uma comparação entre o sistema de saúde japonês e o SUS (Sistema Único de Saúde) — esteve recentemente em Botucatu (SP), onde visitou o Hospital das Clínicas da Unesp, em Rubião Júnior, considerado um dos maiores e mais importantes hospitais universitários da América Latina. A experiência reacendeu reflexões sobre segurança médica.

Nagaki também relembrou episódios pessoais ocorridos no Japão. Nos anos 1990, segundo ele, um dentista tentou realizar um implante de forma totalmente inadequada, removendo um dente de um lado para tentar recolocá-lo do outro apenas na gengiva. Em outra ocasião, na província de Ibaraki, um médico indicou cirurgia de apendicite quando, na realidade, o problema era apenas um quadro de intestino preso.

“A partir daí, fiquei extremamente receoso”, afirmou o jornalista. “São situações que exigem atenção máxima. Um erro médico não é detalhe: pode ser fatal.”

Hospital das Clínicas da Unesp

Os episódios envolvendo o Hospital Universitário de Nagoya reforçam a necessidade de maior transparência, fiscalização rigorosa e revisão de protocolos, especialmente em hospitais universitários, onde a formação de novos profissionais deve caminhar lado a lado com segurança e responsabilidade. A suspensão das cirurgias não é apenas uma medida administrativa — é um alerta claro de que falhas médicas existem, são mais comuns do que se admite e, quando ignoradas, colocam vidas em risco.

FONTE/CRÉDITOS: Da redação
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