Debate sobre Estrangeiros: A Máscara Cai e a Xenofobia se Revela no Japão.

TÓQUIO, JAPÃO – Em um movimento que reflete a crescente tensão em torno da imigração, o Japão anunciou a criação de um novo centro de comando dentro do Secretariado do Gabinete para "lidar com os desafios relacionados aos residentes estrangeiros". A promessa foi feita na terça-feira pelo primeiro-ministro Shigeru Ishiba, por meio de seu principal porta-voz. A medida chega em um momento crucial: a questão dos estrangeiros se tornou um dos temas centrais da campanha para a eleição da Câmara dos Vereadores, marcada para 20 de julho.

Discurso "Japonês Primeiro" Ganha Força na Eleição

A iniciativa do governo parece ser uma tentativa de angariar apoio popular diante das polêmicas envolvendo residentes estrangeiros, incluindo acusações de uso indevido do sistema nacional de bem-estar social. Nos bastidores, a pressão de partidos menores da oposição, que defendem o endurecimento das regulamentações para "proteger os direitos do povo japonês", cresce.

O secretário-chefe de gabinete, Yoshimasa Hayashi, explicou o plano de Ishiba, afirmando que "criar uma sociedade ordenada e inclusiva de residentes estrangeiros é uma das questões políticas mais importantes que o governo deve abordar".

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No entanto, o debate tem sido contaminado por posturas abertamente xenófobas. Alguns partidos conservadores menores têm feito comentários que podem ser considerados discurso de ódio, alegando que a cultura e a economia do Japão devem ser protegidas.

Questionado sobre discursos de campanha que poderiam levar à discriminação contra estrangeiros, o Ministro da Justiça, Keisuke Suzuki, buscou um tom conciliador, afirmando que "uma coexistência ordenada entre japoneses e estrangeiros é essencial" e que "não deve haver xenofobia". Contudo, Suzuki também reforçou que o governo tomará "as medidas necessárias para lidar adequadamente com estrangeiros que não cumprem as regras, incluindo possível deportação", conforme a legislação.

As regras que os residentes estrangeiros devem seguir no Japão incluem o cumprimento das leis e regulamentações japonesas, além de se envolverem apenas em atividades permitidas por seu status de residência.

Acusações e Temor Xenófobo

A retórica contra estrangeiros tem ganhado peso com figuras como Naoki Hyakuta, ex-romancista e líder do Partido Conservador do Japão. No sábado, ele disparou que trabalhadores estrangeiros "desrespeitam a cultura japonesa, ignoram as regras, agridem japoneses e roubam seus pertences".

Outro grupo que tem atraído a atenção de conservadores na campanha para a câmara alta é o partido Sanseito, com sua bandeira "Japonês Primeiro" e visões nacionalistas e anti-establishment. O líder do partido, Sohei Kamiya, foi além, afirmando que a globalização é a "razão por trás da pobreza no Japão", alegando que estrangeiros estão comprando terras e ações de empresas e que o número de trabalhadores estrangeiros cresceu excessivamente em meio à escassez de mão de obra.

O Partido Conservador do Japão, lançado em 2023, e o Sanseito, criado em 2020, conquistaram três cadeiras cada na eleição da Câmara dos Representantes do ano passado, mostrando a crescente relevância de suas pautas no cenário político japonês.

FONTE/CRÉDITOS: Da redação