NAGOYA – A assembleia da cidade de Toyoake, na província de Aichi, aprovou nesta segunda-feira (16) uma lei que recomenda limitar o uso de smartphones, videogames e dispositivos digitais a duas horas por dia, fora do trabalho e da escola. Embora não haja penalidades imediatas, o tom da medida soou para muitos como algo digno de regimes comunistas: controle da vida privada e imposição de regras sobre hábitos individuais.
A portaria, que entra em vigor em 1º de outubro, é considerada a primeira do tipo no Japão e justifica-se por preocupações com os efeitos da tecnologia, como privação do sono e diminuição da interação familiar. Entre as medidas, crianças do ensino fundamental ficam proibidas de usar smartphones após as 21h, enquanto estudantes mais velhos terão que desligar os aparelhos até as 22h.
O prefeito de Toyoake, Masafumi Kouki, afirmou à agência Kyodo News que os limites foram baseados em diretrizes de sono saudável do Ministério da Saúde. Segundo ele, o uso médio de dispositivos já ultrapassa duas horas nos dias de semana e isso estaria prejudicando o descanso das crianças.
Apesar do discurso de “proteção à saúde”, críticos enxergam a medida como um retrocesso. Para alguns, o Japão estaria regredindo a um modelo de controle social típico de países autoritários, ou simplesmente revelando um desejo antigo de vigiar e regular a vida de seus cidadãos.
Na prática, a portaria não passa de uma “recomendação oficial”. Mas para muitos, soa como o primeiro passo de um país que, ao invés de aprender com o tempo, prefere escancarar sua tendência ao controle.