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Na cidade de Oizumi, na província de Gunma, cerca de 9 mil pessoas — o equivalente a aproximadamente 20% da população — são estrangeiras. Com uma forte indústria manufatureira, especialmente no setor automotivo, o município passou, desde a década de 1990, a recrutar ativamente trabalhadores de ascendência japonesa vindos do Brasil e do Peru para suprir a demanda por mão de obra. Mais recentemente, também houve um aumento significativo no número de estagiários técnicos provenientes do Sudeste Asiático.
Reconhecida como um exemplo de convivência multicultural, a cidade tem seu desenvolvimento impulsionado pelo prefeito Toshiaki Murayama, de 63 anos, que assumiu o cargo em 2013 após atuar como vereador. Em 2017, ele promulgou a “Lei de Proteção dos Direitos Humanos com o Objetivo de Eliminar Toda Discriminação”, incentivando a cooperação entre moradores para a construção de uma sociedade mais inclusiva. A iniciativa também responde ao crescimento do número de descendentes de japoneses que desejam se estabelecer permanentemente na cidade.
Em 2024, Oizumi deu mais um passo ao abolir a exigência de nacionalidade para participação em concursos públicos municipais. A decisão, no entanto, gerou forte reação: até o momento, foram registradas 191 manifestações, sendo 182 contrárias, com críticas como “Estão tentando vender o país?” e “E se um espião se infiltrar?”.
Situação semelhante ocorre na província de Mie, cuja administração, após ter eliminado a exigência de nacionalidade para servidores públicos, avalia a possibilidade de retomar a regra diante de preocupações com vazamento de informações.
Apesar da pressão, o prefeito Murayama mantém posição firme. Segundo ele, cerca de 80% das críticas vêm de fora da cidade. “Não vou restabelecer a exigência de nacionalidade. Se ocorrer qualquer problema, como vazamento de informações, apresentarei minha renúncia imediatamente”, afirmou.
A visão do prefeito é influenciada por experiências pessoais. Na juventude, ao enfrentar dificuldades financeiras após se tornar fiador de um empréstimo, ele recebeu apoio de um coreano residente no Japão, amigo de seu irmão. O episódio marcou profundamente sua visão de mundo. “Foi quando percebi que é errado fazer distinção entre japoneses e estrangeiros”, relembra.
Além disso, a realidade demográfica tem acelerado a necessidade de integração. Enquanto a população japonesa local diminui, o número de estrangeiros cresce. Atualmente, uma em cada quatro crianças nascidas na cidade é estrangeira, e a população total aumentou cerca de 15% nos últimos 40 anos. Muitos desses residentes são jovens trabalhadores que atuam em fábricas e contribuem diretamente para a revitalização da economia local.
“Os estrangeiros também sustentam a cidade”, resume Murayama, reforçando a importância da convivência e da integração para o futuro de Oizumi.
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