A farmacêutica japonesa Kissei Pharmaceutical informou que o medicamento “Tavneos” (avacopan), utilizado no tratamento de vasculite — doença inflamatória que afeta os vasos sanguíneos —, está sendo associado a graves complicações hepáticas e a pelo menos 20 mortes no Japão.
Segundo a empresa, aproximadamente 8.500 pacientes utilizaram o medicamento no país desde o lançamento, ocorrido em 2022. Entre os casos registrados, foram identificados episódios severos de lesão no fígado e da chamada “síndrome do desaparecimento dos ductos biliares”, uma condição rara e extremamente grave em que os ductos responsáveis pelo transporte da bile dentro do fígado deixam de funcionar ou desaparecem.
De acordo com os dados divulgados, 22 pacientes desenvolveram a síndrome, sendo que 13 dessas ocorrências estão relacionadas entre os 20 óbitos reportados até o momento.
A empresa informou ainda que, na maioria dos casos, os sintomas surgiram nos primeiros três meses após o início do tratamento.
Diante da gravidade da situação, hospitais e profissionais de saúde foram orientados a evitar o início do tratamento em novos pacientes até uma avaliação mais rigorosa dos riscos. Em 1º de maio, a Kissei incluiu oficialmente a síndrome do desaparecimento dos ductos biliares na categoria de “efeitos colaterais graves” do medicamento, com frequência considerada “desconhecida”.
Para pacientes que já utilizam o Tavneos, a recomendação é que médicos expliquem detalhadamente os riscos, avaliem tratamentos alternativos e monitorem cuidadosamente possíveis sinais de danos hepáticos.
O medicamento foi desenvolvido pela Chemocentrix, subsidiária da farmacêutica americana Amgen, e vinha sendo utilizado como uma nova alternativa no tratamento de vasculites autoimunes.
O caso gera preocupação no Japão e reacende o debate sobre monitoramento de medicamentos, transparência da indústria farmacêutica e segurança de tratamentos aprovados recentemente.
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