Um casal foi preso sob suspeita de agredir de forma reiterada a própria filha de 2 anos, que morreu em decorrência de múltiplas lesões, na província de Wakayama, no Japão.
Segundo a polícia, o operário da construção civil Haruru Hira, 26 anos, e sua esposa, Nanami, 26, moradores da cidade de Kinokawa, são acusados de submeter a filha Runa a agressões frequentes, incluindo socos no rosto, entre o outono do ano passado e julho deste ano. À época, a família residia em Wakayama.
Em julho, Nanami acionou o corpo de bombeiros alegando que a criança não estava respirando em razão de uma possível insolação. Runa foi encaminhada ao hospital, onde teve a morte confirmada. No entanto, exames médicos apontaram que a causa foi choque traumático provocado por hematomas espalhados por todo o corpo.
De acordo com as autoridades, a menina pesava aproximadamente 6 quilos — cerca de metade do peso médio esperado para uma criança da mesma idade — o que levanta suspeitas de negligência alimentar. A polícia trabalha com a hipótese de que, além das agressões físicas, a criança também sofria privação de alimentos.
O casal admitiu as acusações durante o interrogatório, segundo a polícia, que segue investigando as circunstâncias do caso e a possível recorrência das agressões ao longo dos últimos meses.
Violência infantil: problema mais comum do que se imagina
Casos de maus-tratos contra crianças no Japão são mais frequentes do que aparentam. Apesar da imagem de rigor social e organização institucional, os registros de abuso infantil vêm aumentando nos últimos anos, especialmente em ambientes domésticos, onde a violência tende a permanecer invisível até que surjam consequências graves.
Durante o governo de Shinzo Abe, houve forte repúdio público a episódios de violência infantil que ganharam repercussão nacional, impulsionando debates sobre falhas no sistema de proteção e na atuação dos conselhos tutelares japoneses. Ainda assim, especialistas apontam que a subnotificação e o silêncio familiar continuam sendo obstáculos para a prevenção.
O caso de Runa reforça a necessidade de vigilância social e atuação precoce das autoridades diante de sinais de negligência, desnutrição e agressões físicas contra menores.
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