WASHINGTON — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira que o país não precisa mais do apoio naval do Japão e de outros aliados para garantir a segurança no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo.
A declaração ocorre em meio à escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, com o republicano alegando que as operações militares recentes já teriam alcançado “sucesso suficiente” na região.
Em publicação nas redes sociais, Trump criticou diretamente aliados da OTAN, além de países como Japão, Austrália e Coreia do Sul, que demonstraram resistência em enviar navios de guerra para a região.
“Devido ao sucesso militar que obtivemos, não precisamos nem desejamos mais a assistência desses países”, afirmou o presidente.
Rota estratégica e dependência energética
O Estreito de Ormuz é responsável pela passagem de cerca de 20% de todo o petróleo transportado no mundo, sendo vital para a economia global. Países asiáticos, como o Japão, dependem fortemente dessa rota para garantir o abastecimento energético.
Segundo dados do governo japonês, mais de 90% do petróleo importado pelo Japão vem do Oriente Médio e passa pelo estreito.
Apesar disso, a participação japonesa em operações militares é limitada por sua Constituição pacifista, que restringe o envio das Forças de Autodefesa para zonas de conflito.
Críticas à OTAN e frustração com aliados
Trump também demonstrou insatisfação com países europeus, afirmando que muitos membros da OTAN não demonstraram interesse em participar da operação militar conjunta contra o Irã.
Durante conversa com jornalistas na Casa Branca, o presidente afirmou estar “decepcionado” com aliados, destacando que os Estados Unidos gastam centenas de bilhões de dólares por ano com defesa.
“Sempre considerei a OTAN uma via de mão única”, declarou.
Ele ainda argumentou que a ação militar recente teria sido essencial para impedir que o Irã desenvolvesse armas nucleares, reforçando o discurso de que os EUA estariam atuando em benefício da segurança global.
Mudança de discurso e tensão internacional
A fala de Trump representa uma mudança de postura. Dias antes, o próprio presidente havia solicitado apoio de países como Reino Unido, França, China e Japão para manter a segurança da rota marítima.
A declaração ocorre às vésperas de um encontro com a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, na Casa Branca.
Enquanto isso, o conflito na região segue sem sinais claros de trégua, com o Irã mantendo pressão sobre o Estreito de Ormuz, o que aumenta o risco para o comércio global e eleva a tensão geopolítica.
Trump também voltou a criticar o apoio militar dos Estados Unidos à Ucrânia, afirmando que o país forneceu equipamentos “sem custo” a pedido de aliados europeus na guerra contra a Rússia.
Por outro lado, o presidente destacou o apoio de países do Oriente Médio, como Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, classificados por ele como “grandes parceiros”.
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