TÓQUIO – O debate realizado em 23 de setembro na sede do Partido Liberal Democrata (PLD), organizado pelos Escritórios da Juventude e das Mulheres, trouxe à tona uma pauta que preocupa milhares de estrangeiros no Japão: a política migratória. Dos cinco candidatos à presidência do partido, praticamente todos reforçaram a rejeição à chamada “política de imigração”, defendendo maior rigor contra imigrantes ilegais e mais restrições no país.
O ex-secretário-geral Toshimitsu Motegi (69) foi direto: “Sou contra a política de imigração. Acredito que imigrantes não devem ser aceitos. Precisamos cumprir rigorosamente as leis e zerar estrangeiros ilegais”. Takayuki Kobayashi (50), ex-ministro de Estado para Segurança Econômica, também declarou ser “contra a imigração” e defendeu um sistema que reduza a dependência de trabalhadores estrangeiros.
Shinjiro Koizumi (44), atual ministro da Agricultura, reforçou: “Não seguiremos a chamada política de imigração. Estrangeiros devem seguir rigorosamente as regras”. Já Sanae Takaichi, ex-ministra da Economia e Segurança, foi ainda mais dura: “Imigrantes ilegais e aqueles que fingem ser refugiados para fins econômicos devem ser convidados a sair”.
Além disso, Yoshimasa Hayashi, secretário-chefe do Gabinete, anunciou que a partir de outubro será reforçado o processo de triagem para a conversão de carteiras de habilitação estrangeiras. Ele também defendeu medidas contra o uso inadequado do seguro saúde e auxílio-família.
Impacto sobre estrangeiros
Apesar de os discursos apontarem para o combate a ilegais, a realidade é que o ambiente no Japão vem se tornando cada vez mais hostil até para quem vive de forma regular. A RPJ recebe inúmeras denúncias de discriminação, negligência policial e descaso de autoridades — muitas delas sequer chegam a ser divulgadas.
O que se observa é uma tendência clara: estrangeiros, sobretudo brasileiros, estão cada vez mais vulneráveis, tratados como culpados mesmo quando vítimas de crimes como estupro, agressão, discriminação ou acidentes de trânsito. O discurso oficial de “tolerância” esconde uma postura dura, que apenas reforça o que sempre foi o desejo de parte da sociedade japonesa: estrangeiros calados, invisíveis e obedientes.
Um alerta necessário
A verdade precisa ser dita. Se não houver pressão efetiva e firme das autoridades brasileiras, o cenário tende a piorar. O estrangeiro que questiona, denuncia ou se recusa a aceitar abusos passa a incomodar. Diferente de décadas atrás, brasileiros não aceitam mais ser tratados como marionetes — e isso causa incômodo.
Entre discursos políticos e medidas oficiais, cresce a percepção de que o Japão não está regredindo: apenas escancarando uma realidade que sempre existiu.