A RPJ News já vinha acompanhando a escalada de furtos e invasões no Japão, fenômeno que coincidiu com discursos e protestos de teor anti-imigratório que tentavam responsabilizar estrangeiros pelo aumento da criminalidade. No entanto, os dados mostram que essa correlação não se sustenta.
Em um artigo publicado pela Kyodo News, no dia 1º de dezembro, a agência confirmou que os índices realmente cresceram, ressaltando que a tradicional imagem do Japão como país extremamente seguro vem se deteriorando diante da expansão dos roubos de veículos e invasões residenciais — crimes impulsionados, segundo especialistas, por redes de exportação e pela falta de hábitos básicos de segurança entre moradores.
Em um seminário sobre furto de automóveis realizado pela polícia da província de Aichi, um homem de cerca de 50 anos relatou ter sido vítima duas vezes. Em 2011, seu Toyota Land Cruiser simplesmente desapareceu. Em 2015, encontrou o carro com um buraco quadrado na lataria e a fiação interna queimada, o que gerou prejuízo superior a 100 mil ienes.
Dados preliminares da Agência Nacional de Polícia apontam 3.821 carros roubados entre janeiro e junho, um aumento de 29,2% em relação ao ano anterior.
Aichi lidera o ranking com 639 casos, alta de 50,4%. Saitama registrou 479 ocorrências, aumento de 14,6%, enquanto Kanagawa teve 396, crescimento de 66,4%.
Prefeituras como Shizuoka e Nagano registraram saltos ainda maiores, impulsionados pela valorização de veículos no mercado interno e externo.
Segundo a polícia de Aichi, quadrilhas especializadas atuam em esquema profissional, com funções divididas entre observação, furto, desmanche e revenda. O uso do dispositivo conhecido como CAN Invader, capaz de destravar portas e ligar motores em segundos, facilita as ações.
Além dos carros, invasões residenciais também chamam atenção. Uma moradora da zona rural de Aichi, que nunca havia se preocupado com segurança, teve dinheiro furtado duas vezes em menos de um mês, mesmo sem sinais de arrombamento. A polícia apura as ocorrências como invasões com violação mínima, possivelmente ligadas a redes como o “yami baito”, em que criminosos são recrutados pela internet.
Entre janeiro e junho, foram registrados 8.898 roubos a residências, o maior número para o período em cinco anos. Saitama aparece novamente na liderança, com 959 casos, seguida por Chiba, Ibaraki e Aichi.
Autoridades alertam que muitos desses crimes poderiam ser evitados com medidas simples: trancar portas, instalar fechaduras e sensores, usar cascalho que faça ruído, colocar câmeras de segurança e ampliar a iluminação externa.
Masaki Takeuchi, da Divisão de Segurança Comunitária da Polícia de Aichi, reforça: “Medidas preventivas combinadas aumentam a proteção. E, ao se deparar com um criminoso, o risco à vida é real.”
O cenário desmonta o discurso de que estrangeiros seriam responsáveis pela tendência de alta. O que está por trás, segundo especialistas, é uma combinação de alta lucratividade, tecnologia acessível às quadrilhas e falta de hábitos de segurança entre a população.
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