Equipes técnicas do governo dos Estados Unidos concluíram os procedimentos para designar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A medida abre caminho para a aplicação de sanções internacionais mais severas e pode permitir, em tese, operações militares contra estruturas ligadas aos grupos, inclusive fora do território norte-americano.

Com a etapa técnica finalizada, falta apenas a chancela política da Casa Branca, considerada provável nos próximos dias por fontes diplomáticas. A informação foi divulgada inicialmente pelo portal UOL e confirmada por outras fontes da imprensa. O governo brasileiro já teria sido alertado previamente sobre o risco da decisão e busca alternativas diplomáticas para evitar o agravamento da crise.

Caso a classificação seja confirmada, PCC e CV passarão a integrar uma lista que inclui outras organizações criminosas da América Latina e do Caribe, já tratadas pelos EUA como terroristas. Entre elas estão o Cartel de Sinaloa, Cartel Jalisco Nova Geração, Cartel do Golfo e Los Zetas, no México; o Clã do Golfo, na Colômbia; a federação criminosa G9 e Família, no Haiti; e o grupo Los Choneros, no Equador.

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A possível decisão gera apreensão no Palácio do Planalto e pode afetar o diálogo político entre Brasília e Washington. O combate ao crime organizado vinha sendo tratado como um dos principais pontos de convergência entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, que cogitavam uma reunião bilateral nos próximos meses. Integrantes do governo brasileiro avaliam que a nova medida pode comprometer a agenda diplomática e dificultar a cooperação institucional.

Autoridades brasileiras defendem que o enfrentamento às facções deve ocorrer por meio de instrumentos legais internos e cooperação internacional em inteligência e segurança pública, sem a adoção de classificações que permitam intervenções externas de natureza militar.

Nos bastidores, diplomatas avaliam que o tema também possui forte componente político. A classificação de facções brasileiras como terroristas é defendida por setores da oposição, que veem na medida uma forma de ampliar a pressão internacional sobre o governo federal. Parlamentares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro mantiveram interlocução com representantes norte-americanos para tratar do assunto.

Relatórios do Departamento de Estado dos EUA apontam o PCC como uma das principais ameaças transnacionais ligadas ao narcotráfico, destacando sua presença em grande parte do território brasileiro e sua atuação em diversos países. Documentos também indicam preocupação com a expansão de facções sul-americanas em rotas internacionais de tráfico.

Especialistas alertam que, caso a designação seja formalizada, bases logísticas, rotas financeiras e estruturas operacionais atribuídas às facções podem passar a ser tratadas como alvos legítimos dentro da doutrina antiterrorismo norte-americana. Em situações anteriores, decisões semelhantes resultaram em operações de caráter militar em outros países, sob justificativa de combate a organizações classificadas como terroristas.

A possibilidade levanta debates jurídicos e diplomáticos sobre soberania nacional e limites da cooperação internacional em segurança pública. O governo brasileiro acompanha os desdobramentos e mantém diálogo com autoridades norte-ameramericanas para evitar que a medida produza impactos diretos no território nacional.

FONTE/CRÉDITOS: Da redação