O Brasil alcançou, pela primeira vez, o patamar de desenvolvimento humano classificado como “muito alto” pela Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo relatório divulgado nesta terça-feira (26) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) brasileiro chegou a 0,805 em 2024 — o maior resultado da história do país.
O avanço representa uma evolução significativa em relação a 2012, quando o índice era de 0,744. O estudo aponta crescimento nos três pilares que compõem o IDH: saúde, educação e renda.
De acordo com o relatório, o Brasil apresentou melhora consistente nos indicadores sociais ao longo das últimas décadas, refletindo mudanças estruturais em diversas regiões do país.
A área da saúde segue como principal destaque. O índice de longevidade passou de 0,829 para 0,860 entre 2012 e 2024, atingindo níveis próximos aos observados em países desenvolvidos. O PNUD atribui parte desse resultado à ampliação do acesso aos serviços públicos de saúde por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).
Já a educação foi o setor que registrou maior crescimento proporcional no período analisado. O indicador saltou de 0,679 para 0,798, consolidando-se como o segundo melhor componente do IDH nacional. Especialistas apontam que programas sociais e políticas públicas de inclusão educacional contribuíram diretamente para esse avanço.
Apesar da melhora geral, a renda ainda aparece como o principal desafio brasileiro. O indicador econômico evoluiu de 0,732 para 0,760, crescimento considerado inferior ao observado nas áreas de saúde e educação. Segundo o relatório, a desigualdade econômica continua sendo um obstáculo para um avanço ainda maior do desenvolvimento humano no país.
O estudo também revela profundas diferenças sociais e regionais. Enquanto pessoas brancas registram IDH de 0,851 — considerado muito alto —, pessoas negras apresentam índice de 0,774. Entre homens e mulheres, os números também mostram diferença: homens atingem 0,802, enquanto mulheres registram 0,798.
As disparidades regionais permanecem evidentes. O Distrito Federal possui o maior IDH do país, com 0,866, enquanto o Maranhão aparece na última posição, com 0,745.
A diferença também se reflete na expectativa de vida e na renda média da população. No Distrito Federal, a expectativa de vida chega a 79,7 anos, enquanto no Amapá é de 74,3 anos. Na renda mensal, um cidadão branco do Distrito Federal recebe, em média, R$ 1.987, enquanto um cidadão negro do Maranhão tem rendimento médio de R$ 446,20.
O PNUD alertou que, apesar dos avanços históricos, o Brasil ainda enfrenta o desafio de garantir que os ganhos sociais alcancem de forma mais ampla os grupos historicamente excluídos.
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