Espaço para comunicar erros nesta postagem
Uma nova e curiosa onda de indignação surgiu nas redes sociais: uma parcela de brasileiros residentes no Japão passou a acusar portais de notícias e veículos de imprensa voltados à comunidade de terem formado uma suposta “coalizão” para denegrir a imagem do país.
Segundo essa narrativa, os veículos deixariam de lado as chamadas “coisas boas” e atuariam de forma coordenada para retratar um cenário de crise, movidos, supostamente, pela busca por cliques, audiência e engajamento.
O que esses críticos chamam de "falar mal" ou ¨Criar pânico¨, nós chamamos de jornalismo baseado em fatos. É preciso analisar: o que leva um estrangeiro a acreditar que a denúncia de abusos reais é um ataque coordenado ao país que o acolheu?
A Falsa Teoria da "Quadrilha Jornalística"
A acusação de que os veículos de imprensa se juntaram para atacar o Japão ignora o papel fundamental da mídia em qualquer democracia: a fiscalização do poder. Quando noticiamos que a economia japonesa despencou para a 5ª posição mundial, ou que a primeira-ministra adota discursos cada vez mais rígidos e anti-estrangeiros, não estamos "inventando" um problema; estamos alertando a comunidade para que ela não seja pega de surpresa.
Onde está o "Complô"?
Seria um complô noticiar que, a partir de abril de 2026, a renovação de um visto de trabalho passará de ¥6.000 para ¥40.000? Ou que a Residência Permanente custará mais de ¥100.000? Ignorar esse tarifaço em nome de um "patriotismo adotivo" não ajuda o brasileiro; pelo contrário, o deixa vulnerável ao impacto financeiro brutal que está por vir.
A Cegueira Seletiva e a "Justiça de Reféns"
Aqueles que acusam a imprensa de "falar mal" parecem fechar os olhos para casos como o de Carlos Casu — o brasileiro que chamou a polícia e acabou algemado após uma simulação teatral de agressão por um oficial. Falar sobre a "Justiça de Reféns", onde se pode ficar preso por 23 dias sem advogado, é um serviço público.
A verdade é incômoda: o Japão atual vive uma "caça às bruxas" institucionalizada, e quem afirma que a imprensa se uniu para inventar esses fatos está, no mínimo, mal informado — ou prefere fingir que não vê para manter uma paz de espírito que a realidade já não sustenta.
Conclusão: Informação não é Ataque
Acusar a imprensa de "se juntar para falar mal" é um recurso comum de quem não consegue lidar com o fim de um mito. O Japão é uma nação grandiosa, mas não está acima de críticas e, certamente, não está imune a crises e preconceitos.
Nossa "união" é com o leitor e com a verdade. Se expor que o estrangeiro está sendo usado para tapar buracos fiscais e que a polícia pode simular crimes é "falar mal", então continuaremos fazendo o nosso trabalho. Afinal, em um momento de discursos anti-estrangeiros inflamados, a única coisa pior que a realidade é a ignorância sobre ela.
Nossas notícias
no celular
Comentários