O número de estrangeiros que tiveram o visto de residência revogado no Japão registrou alta significativa em 2025, evidenciando um endurecimento na fiscalização migratória e o aumento de irregularidades no cumprimento das condições de permanência no país.

De acordo com dados divulgados pela Agência de Serviços de Imigração do Japão, foram contabilizados 1.446 casos de cancelamento de status de residência com base no artigo 22-4, parágrafo 1, da Lei de Controle da Imigração e Reconhecimento de Refugiados. O número representa um aumento de 22,1% em relação a 2024, quando foram registrados 1.184 casos.

Nacionalidades mais afetadas

Entre os estrangeiros com vistos revogados, cidadãos do Vietnã lideram com ampla margem, totalizando 947 casos. Na sequência aparecem Indonésia (94), Sri Lanka (91), Uzbequistão (70), China (66), Nepal (56) e Camboja (36). Os dados indicam uma forte concentração entre trabalhadores e estudantes oriundos de países asiáticos em desenvolvimento, muitos dos quais participam de programas de formação técnica no Japão.

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Tipos de visto mais impactados

O status de residência mais afetado foi o de “Estagiário Técnico” (ginou jisshū), com 973 casos — disparado o maior número entre todas as categorias. Em seguida, aparecem os vistos de “Estudante”, com 343 casos, e o de “Engenheiro/Especialista em Humanidades/Serviços Internacionais”, com 63 ocorrências.

Especialistas apontam que o elevado número entre estagiários técnicos reflete desafios estruturais do programa, frequentemente criticado por falhas na supervisão e por expor trabalhadores estrangeiros a condições que dificultam o cumprimento integral das exigências legais.

Principais motivos para cancelamento

As autoridades japonesas destacam dois fatores principais para a revogação dos vistos:

  • Permanência sem exercer atividade autorizada: 999 casos foram registrados sob o item 6 da legislação, que se refere a estrangeiros que permaneceram no Japão por mais de três meses (ou seis meses, no caso de profissionais altamente qualificados) sem trabalhar ou estudar conforme o tipo de visto, sem justificativa válida.
  • Exercício de atividades incompatíveis com o visto: 350 casos se enquadram no item 5, que trata de estrangeiros que deixam de cumprir as atividades previstas em seu status de residência e passam a exercer ou planejam exercer outras funções não autorizadas.

Alerta para a comunidade estrangeira

O aumento expressivo nos cancelamentos reforça o alerta para que estrangeiros no Japão mantenham rigor no cumprimento das condições estabelecidas em seus vistos. Permanecer no país sem exercer a atividade declarada ou atuar fora das permissões legais pode resultar não apenas na perda do status de residência, mas também em deportação e restrições futuras de entrada no país.

O cenário também levanta discussões sobre a necessidade de maior orientação aos estrangeiros e revisão de programas como o de estágio técnico, que segue sendo uma das principais portas de entrada de mão de obra estrangeira no Japão — e, ao mesmo tempo, uma das mais vulneráveis a irregularidades.

FONTE/CRÉDITOS: Da redação