O governo do Japão anunciou nesta terça-feira um endurecimento nas regras para a entrada de investimentos estrangeiros no país, com a criação de um painel interministerial responsável por avaliar riscos à segurança nacional. A medida, articulada pela primeira-ministra Sanae Takaichi, segue o modelo adotado pelos Estados Unidos e busca evitar o vazamento de tecnologias sensíveis e informações estratégicas.
A iniciativa será implementada por meio de uma revisão da legislação de câmbio e comércio exterior, que já prevê a análise prévia de investimentos estrangeiros em setores considerados críticos, como energia e aviação. Com a mudança, o escopo de fiscalização será ampliado, incluindo operações indiretas — como a aquisição de empresas estrangeiras que já possuam participação em companhias japonesas.
O novo colegiado contará com a participação do Ministério das Finanças, do Ministério da Economia, Comércio e Indústria e do Secretariado de Segurança Nacional, reforçando o caráter estratégico da medida. A proposta também prevê que empresas japonesas sob influência de governos estrangeiros possam ser classificadas como investidores externos, ampliando ainda mais o controle estatal.
A inspiração vem do modelo norte-americano, especialmente do CFIUS, que possui autoridade para recomendar o bloqueio de negócios considerados sensíveis à segurança dos Estados Unidos. Nos últimos anos, o órgão ganhou destaque ao avaliar operações envolvendo grandes grupos internacionais, incluindo tentativas de aquisição no setor siderúrgico.
Com o novo mecanismo, o Japão busca se alinhar às principais economias globais no fortalecimento da chamada “segurança econômica”, em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas e disputa por tecnologias estratégicas.
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