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Sexta-feira, 24 de Abril 2026

Mundo

México reconhece “cão caramelo” como raça nacional e revolta brasileiros

Decisão oficial gera indignação nas redes, com acusações de “apropriação cultural” do símbolo mais popular entre os vira-latas do Brasil

ERINA OGURA
Por ERINA OGURA
México reconhece “cão caramelo” como raça nacional e revolta brasileiros
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Uma decisão tomada no México acendeu um verdadeiro debate internacional e provocou revolta entre brasileiros: o tradicional cachorro de pelagem amarela, popularmente conhecido como “vira-lata caramelo”, foi oficialmente reconhecido como uma raça — mas não no Brasil.

O reconhecimento partiu da Procuradoria de Proteção Ambiental do Estado do México (Propaem), que incluiu o chamado “perrito amarillo” na lista de raças nacionais, ao lado de cães tradicionais do país como o Chihuahua e o Xoloitzcuintli.

A justificativa das autoridades mexicanas é nobre: incentivar a adoção de animais e combater o preconceito contra cães sem pedigree, além de enfrentar o grave problema do abandono. O México possui cerca de 29,7 milhões de cães e gatos em situação de rua — número próximo ao do Brasil, que também enfrenta uma crise semelhante, com milhões de animais abandonados.

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Mas o que era para ser uma ação de proteção animal rapidamente se transformou em uma crise de identidade cultural nas redes sociais.

Internautas brasileiros reagiram com indignação, acusando o México de “roubar” um dos maiores símbolos populares do país. O “vira-lata caramelo”, amplamente conhecido no Brasil, é mais do que um cachorro: virou meme, símbolo nacional e até personagem de produções cinematográficas recentes.

A revolta ganha ainda mais força diante de um detalhe: a iniciativa mexicana teria sido inspirada justamente por uma campanha brasileira realizada em 2025, que buscava valorizar o vira-lata caramelo como patrimônio cultural e incentivar sua adoção.

Especialistas lembram, no entanto, que o chamado “caramelo” não é uma raça pura, mas resultado de séculos de miscigenação entre diferentes cães, desde o período colonial, quando animais europeus foram introduzidos no continente.

Mesmo assim, para muitos brasileiros, a questão vai além da genética: trata-se de identidade, cultura e pertencimento.

O episódio escancara como até mesmo um simples cachorro pode se transformar em símbolo de disputa entre nações — e provocar uma reação que vai muito além do mundo animal.

FONTE/CRÉDITOS: Da redação
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ERINA OGURA

Publicado por:

ERINA OGURA

Jornalista e escritora-Assessoria e professora

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