WASHINGTON — A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, afirmou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que Japão está disposto a contribuir para a segurança no Estreito de Ormuz, em meio à intensificação da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Durante o encontro na Casa Branca, a líder japonesa também destacou as limitações legais que restringem o envio de embarcações das Forças de Autodefesa para a região.
A reunião foi marcada por um momento de tensão quando Trump justificou a decisão de não informar previamente aliados sobre os ataques iniciais ao Irã, realizados em 28 de fevereiro. Ao responder a um jornalista, o presidente norte-americano citou o ataque japonês a Pearl Harbor, em 1941, afirmando que a estratégia de surpresa foi essencial para o sucesso da operação militar.
“Não contamos para ninguém porque queríamos uma surpresa. Quem entende melhor de surpresa do que o Japão?”, declarou Trump, em referência histórica que causou reação visível de desconforto por parte de Takaichi.
O presidente afirmou ainda que os ataques iniciais atingiram parte significativa dos alvos planejados e reforçou sua expectativa de maior envolvimento japonês no conflito. Segundo ele, o Japão tem “grande motivo” para agir, já que grande parte de suas importações de petróleo depende da rota marítima no Golfo, atualmente afetada pelas ações iranianas.
Trump também aumentou a pressão sobre aliados internacionais, incluindo membros da OTAN e países asiáticos, para que enviem navios de guerra com o objetivo de garantir a livre navegação no Estreito de Ormuz. Ele demonstrou frustração com a resistência de algumas nações, especialmente europeias, em aderir às operações.
“Temos 45 mil soldados no Japão e investimos muito na defesa do país. Espero que eles intensifiquem seus esforços”, afirmou.
Além da crise no Oriente Médio, os líderes discutiram temas estratégicos no Indo-Pacífico, incluindo a situação de Taiwan. Ambos reafirmaram o compromisso com a paz e a estabilidade na região, defendendo a resolução pacífica de conflitos e rejeitando mudanças unilaterais no status quo, especialmente por meio do uso da força.
Trump também demonstrou interesse nas relações entre Japão e China, reconhecendo tensões entre os dois países. Sua viagem a Pequim, inicialmente prevista para este mês, foi adiada devido ao agravamento do conflito com o Irã.
Apesar do episódio diplomático delicado, o encontro foi encerrado em tom positivo. Durante jantar oficial com representantes de ambos os países, Trump elogiou a aliança histórica entre Estados Unidos e Japão, classificando-a como uma das mais bem-sucedidas do mundo e sinalizando intenção de fortalecê-la ainda mais.
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