ROMA, ITÁLIA — Hideko Hakamada, de 92 anos, irmã mais velha de Iwao Hakamada, 89, emocionou participantes de uma conferência internacional sobre direitos humanos realizada em Roma, ao pedir o fim da pena de morte no Japão. Iwao foi condenado à morte em 1968 pelo assassinato de uma família de quatro pessoas na província de Shizuoka, e passou 48 anos no corredor da morte, até ser absolvido em um novo julgamento neste ano.
“Espero sinceramente que o que aconteceu com meu irmão leve à eliminação da pena de morte e das falsas acusações neste mundo”, disse Hideko, recebendo aplausos de pé de um público formado por líderes religiosos, juristas e estudantes de diversos países.
O caso que abalou o sistema judicial japonês
Iwao Hakamada, ex-boxeador profissional, foi preso em 1966 e condenado à morte dois anos depois, acusado de assassinar um casal e seus dois filhos. Durante décadas, sua defesa alegou erro judicial, apontando falhas nas investigações e confissões obtidas sob tortura.
Em 2014, um novo julgamento foi autorizado após novas análises de DNA questionarem as provas originais do caso. Em 2023, após 57 anos de batalha judicial, o tribunal o declarou inocente.
Hideko lembrou, durante seu discurso, o trauma vivido pelo irmão enquanto aguardava a execução:
“Quando o visitei no centro de detenção, por volta de 1980, ele me disse: ‘Houve uma execução ontem. Foi a pessoa sentada ao meu lado’. Ele vivia com medo diário, imaginando quando chegaria sua vez. Isso o deixou mentalmente instável”, relatou.
Mesmo após ser libertado, Iwao apresenta sintomas psicológicos graves e ainda enfrenta dificuldades para manter conversas coerentes, segundo a irmã.
Um apelo pela justiça e pela dignidade humana
Durante a conferência, Hideko destacou que a experiência do irmão é uma prova do risco irreparável da pena de morte em um sistema falível. “Nenhum governo tem o direito de tirar a vida de alguém que pode ser inocente”, disse.
Mais de 100 pessoas participaram do evento, entre líderes religiosos, ativistas e representantes de organizações internacionais. Ao final de sua fala, Hideko foi aplaudida de pé, simbolizando o apoio global à sua luta por justiça.
Análise RPJ News
A história de Iwao Hakamada é um dos maiores símbolos de erro judicial da história japonesa. Sua condenação e longa espera pela execução expõem fragilidades profundas no sistema penal do país, que ainda mantém a pena de morte — com execuções realizadas em sigilo e notificadas aos presos apenas horas antes.
O apelo de Hideko, aos 92 anos, ressoa como um clamor por humanidade e transparência, num Japão que enfrenta crescente pressão internacional para abolir a pena capital. Seu discurso em Roma reforça a importância de revisar políticas criminais e garantir justiça sem barbárie, para que tragédias como a de seu irmão nunca mais se repitam.
Fonte/Créditos: Da redação
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