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A NHK (Nippon Hōsō Kyōkai), emissora pública do Japão, divulgou nesta semana os resultados financeiros do ano fiscal encerrado em março de 2025 — e os números preocupam. Pelo segundo ano seguido, a estatal japonesa registrou prejuízo nas contas, com um déficit de 44,9 bilhões de ienes (cerca de R$ 1,6 bilhão na cotação atual).
A principal causa do rombo foi a redução de 10% na taxa de recepção cobrada dos lares japoneses, implementada em outubro de 2023. A medida, tomada para aliviar o bolso dos assinantes, acabou gerando forte impacto negativo nas receitas da empresa.
Queda na receita e baixa adesão
A receita total da NHK caiu 6,2% em comparação ao ano anterior, fechando em 612,5 bilhões de ienes. Desse montante, 590,1 bilhões vieram das taxas de recepção, que compõem a maior parte do orçamento da emissora — uma redução recorde de 42,6 bilhões de ienes.
Outro problema foi a diminuição da taxa de pagamento por parte dos assinantes. Atualmente, 77,3% das residências japonesas estão em dia com o pagamento — índice que caiu em praticamente todas as prefeituras, exceto em Kochi.
Com despesas operacionais somando 657,4 bilhões de ienes, o saldo negativo só não foi maior porque foi coberto com recursos do fundo de reserva da empresa.
Para onde vai o dinheiro?
Cerca de 77% de todas as despesas da NHK — ou 497,1 bilhões de ienes — foram destinados à produção e transmissão de conteúdo nacional. O custo para manter a grade de TV aberta, que inclui programas jornalísticos, culturais, educativos e de entretenimento, consumiu 307,9 bilhões de ienes.
Veja a divisão por tipo de programa: Noticiários e comentários (como “Bom Dia Japão”): 92,3 bilhões de ienes (30% do total);
Programas de vida e cultura (como “Darwin Chegou!” e “Asaichi”): 74,3 bilhões (24,1%);
Esportes: 17,2% dos custos, embora ocupem 11,6% da programação;
Dramas: 11,2% dos gastos, com 7,2% do tempo no ar.
Apesar de os noticiários representarem apenas 12,7% da grade de programação, são os mais caros de produzir — devido à necessidade de equipes de reportagem, estrutura móvel e cobertura ao vivo em todo o país.
Perspectivas futuras e tentativa de reestruturação
E o cenário deve continuar desafiador. A projeção para o próximo ano fiscal (2026) é de novo déficit, na casa dos 40 bilhões de ienes. A NHK já anunciou um plano de redução de 2,4% nos custos de produção e pretende implementar uma série de reformas para tentar equilibrar as contas até 2027.
Segundo o presidente da NHK, os cortes fazem parte de uma estratégia para tornar a emissora “mais enxuta e eficiente”, incluindo mudanças no modelo de cobrança das taxas, reestruturação administrativa e possível revisão de parte da programação.
A situação financeira da NHK reacende o debate sobre a sustentabilidade de modelos públicos de mídia em tempos de mudanças tecnológicas, novas plataformas digitais e concorrência com gigantes do streaming. O futuro da emissora japonesa dependerá, cada vez mais, de sua capacidade de adaptação e inovação.
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