TÓQUIO – O governo japonês anunciou oficialmente a reativação de instalações nucleares no complexo de Fukushima, aproximadamente 15 anos após o catastrófico terremoto seguido de tsunami que abalou o mundo em março de 2011. A medida marca um ponto de virada na política energética do país, que havia paralisado seu parque nuclear após o colapso que se tornou o pior acidente do setor desde Chernobyl, na Ucrânia.
O complexo industrial, situado a cerca de 220 quilômetros da capital, Tóquio, fazia parte do grupo de 54 reatores que foram desligados por razões de segurança em todo o arquipélago após a tragédia. Durante mais de uma década, o Japão manteve um debate intenso sobre o futuro de sua matriz energética, equilibrando a dependência de importações de combustíveis fósseis com o temor popular em relação à segurança atômica.
Um Cenário de Divisão Nacional
A decisão de retomar as atividades em Fukushima não ocorre sem resistência. Embora o governo e setores da indústria defendam que a energia nuclear é essencial para garantir a estabilidade elétrica e cumprir metas de redução de emissões de carbono, uma parcela significativa da população manifesta profunda preocupação.
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Argumentos do Governo: A necessidade de reduzir custos de energia e a modernização dos protocolos de segurança são as principais justificativas para a reabertura.
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Resistência Popular: Moradores locais e grupos ativistas argumentam que o trauma de 2011 ainda não foi totalmente superado e questionam a eficácia das novas barreiras de contenção em caso de novos desastres naturais.
O Contexto Histórico e Geopolítico
A reativação é simbólica e estratégica. Fukushima tornou-se, mundialmente, o rosto da crise nuclear no século XXI. O anúncio atual reflete uma mudança na percepção global sobre a energia nuclear, que volta a ser discutida em diversos países como uma alternativa de "energia limpa" diante da crise climática, apesar dos riscos inerentes.
O plano de reativação deve seguir etapas rigorosas de inspeção técnica antes que os reatores voltem a operar em plena capacidade, enquanto o governo japonês lida com o desafio diplomático e social de pacificar as comunidades afetadas pela memória do desastre.
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