Tóquio – A inflação no Japão manteve-se acima dos 3% pelo quarto mês consecutivo em março, com um dado especialmente alarmante: o preço do arroz, alimento essencial na dieta japonesa, registrou um aumento histórico de 92,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Trata-se da maior alta desde 1971, quando começaram os registros comparativos.
Os números divulgados nesta sexta-feira pelo Ministério do Interior e Telecomunicações mostram que o índice de preços ao consumidor (excluindo alimentos perecíveis) subiu 3,2% em março – 0,2 ponto percentual a mais que em fevereiro. O arroz, porém, foi o item que mais chamou atenção, com seis meses seguidos de recordes consecutivos.
Crise no prato principal
O salto no preço do arroz reflete uma combinação de fatores:
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Quebras pontuais na safra devido a condições climáticas adversas em 2023;
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Aumento nos custos de produção, incluindo fertilizantes e energia;
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Estoques ajustados, com o governo liberando reservas estratégicas, mas em ritmo insuficiente para equilibrar o mercado.
Pacotes de 5 kg, que custavam em média 2.000 ienes (cerca de R66)haˊumano,agorasuperam∗∗4.000ienes∗∗(R 132) nos supermercados. Para famílias que consomem arroz diariamente, o impacto no orçamento é direto.
Pressão política e medidas paliativas
O governo japonês revisou regras para facilitar a distribuição entre atacadistas e acelerou a liberação de estoques públicos, mas críticos apontam que as ações evitam medidas mais duras para proteger a renda dos agricultores – um eleitorado-chave.
Enquanto isso, especialistas alertam que a persistência da inflação acima da meta de 2% do Banco do Japão pode forçar um ajuste na política monetária, ainda que a economia enfrarecida limite opções.
Próximos passos: Autoridades prometem ampliar a fiscalização sobre especulação nos preços, mas consumidores já enfrentam a realidade de um dos aumentos mais abruptos em meio século.
Fonte/Créditos: Ministério do Interior e Telecomunicações do Japão.
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