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A denúncia do influenciador Felca escancarou o que muitos fingiam não ver: menores sendo explorados, expostos e tratados como mercadoria para gerar likes e dinheiro. A prática não é nova. A diferença é que, desta vez, milhões assistiram, compartilharam e cobraram. Só assim — diante do escândalo público — políticos, Ministério Público e até a própria plataforma decidiram agir.
Mas a pergunta que não cala é simples: por que só agora? A RPJ News, há anos, denuncia no Japão a pedofilia, os golpes digitais, a manipulação de informações e a exposição criminosa de menores. O silêncio foi a resposta. As denúncias nunca geraram a mesma comoção. Não havia milhões de views, não havia pressão internacional. Faltava espetáculo.
O caso de Hytalo Santos, agora preso, mostra até onde o crime foi naturalizado. Casas com lixo acumulado, celulares confiscados, crianças faltando à escola para gravar vídeos, famílias recebendo entre R$ 2 mil e R$ 3 mil de aluguel para permitir a exploração. Uma cena de horror sustentada pela lógica do lucro fácil.
Somente após a repercussão mundial a plataforma anunciou medidas: desativação de contas, bloqueio de vídeos com menores, mudanças na política contra fake news, manipulação de algoritmos, golpes e doações fraudulentas. E ainda reforçou a preocupação com a sexualização precoce, que há tempos se tornou rotina.
Felca abriu mão da monetização e, mesmo ameaçado, ganhou visibilidade e prêmios. Foi a própria plataforma que se defendeu, não por moralidade, mas por medo de perder credibilidade. Essa é a verdade incômoda: a resposta não veio da ética, veio do pânico empresarial.
No entanto, o problema é maior do que a exploração de menores. No Japão, o ambiente digital está contaminado por interesses comerciais e financeiros. Criadores de conteúdo manipulam, distorcem e fabricam narrativas para alimentar seguidores. Pior: usam até o nome de Deus como justificativa, como se a religião pudesse servir de escudo para suas ambições.
Esses mesmos criadores exploram comparações superficiais entre Brasil e Japão, romantizando o Japão como um paraíso imune a falhas, enquanto pintam o Brasil como um inferno. O resultado é perverso: seguidores brasileiros são atacados, ridicularizados e até culpados por problemas que nada têm a ver com eles. Expressões como “vergonha brasileira”, “no Brasil só bandidagem” e “brasileiro sendo brasileiro” se multiplicam, reforçando preconceitos e criando divisões.
O que vemos é a manipulação travestida de patriotismo, religiosidade e moralidade. Criadores que se colocam como profetas da verdade, mas agem como mercadores de ilusões, lucrando em cima da ingenuidade de quem os segue.
A verdade é dura: a internet produziu muito lixo, mas também tem a capacidade de limpar esse mesmo lixo. Felca mostrou isso. Um vídeo, uma denúncia, milhões de acessos e, de repente, uma estrutura criminosa começou a ruir.
Mas não nos enganemos: se depender apenas da iniciativa individual, a exploração vai continuar. É preciso cobrar responsabilidade das plataformas, que lucram com cada clique, e também coragem da comunidade, que não pode mais se calar diante da manipulação.
A RPJ reafirma: continuará a denunciar, continuará a expor, mesmo que o silêncio e a indiferença ainda predominem. A liberdade digital é preciosa, mas tem limite — o limite é o crime, a exploração e a manipulação da fé e da identidade de um povo.
Cuidado, influenciadores da mentira, do golpe e da exploração: o próximo a ser desmascarado pode ser você.
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