O caso recente da brasileira Amanda Borges, encontrada morta em um hotel no Japão, reacendeu um importante debate sobre as diferenças no comportamento da imprensa japonesa em comparação com a brasileira — especialmente no que se refere à cobertura de crimes.

No Brasil, é comum que, diante de um caso criminal, a imprensa tenha acesso direto a fontes como delegados, policiais, investigadores e advogados. Esses profissionais frequentemente concedem entrevistas e esclarecem detalhes do caso, prestando contas à sociedade. O jornalismo brasileiro, mesmo com suas falhas, exerce um papel fundamental de fiscalização e transparência, fornecendo informações que ajudam a formar a opinião pública e cobrar resultados das autoridades.

Já no Japão, a realidade é outra. No caso de Amanda, por exemplo, poucos detalhes foram oficialmente divulgados. A polícia japonesa, como de praxe, mantém as investigações sob estrito sigilo. Entrevistas com investigadores, policiais ou mesmo testemunhas são raríssimas, e as informações divulgadas à imprensa são mínimas e, muitas vezes, protocoladas.

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Essa cultura de silêncio acaba alimentando suspeitas sobre a condução das investigações. Não é à toa que a RPJ, portal independente com foco em casos envolvendo estrangeiros no Japão, tem sido constantemente questionada por tentar obter, sem sucesso, versões oficiais da polícia. O segredo que cerca os procedimentos judiciais e policiais japoneses não serve apenas para preservar investigações: ele pode ocultar falhas, distorções ou mesmo abusos.

Polícia brasileira                                                                      Polícia americana

Não são poucos os relatos de depoimentos forçados, confissões sob pressão e prisões indevidas, temas que inclusive já foram denunciados por entidades de direitos humanos. Em muitos casos, nem mesmo os familiares das vítimas têm acesso ao andamento das investigações. O argumento de que "as investigações seguem em sigilo" se tornou uma barreira constante entre a verdade e a população.

Na prática, essa falta de transparência deixa vítimas, familiares e cidadãos à mercê de um sistema que pouco se comunica e que, muitas vezes, protege mais a sua imagem institucional do que os direitos dos envolvidos.

Reportagem RPJ

É por isso que veículos como a RPJ reforçam a necessidade de vigilância crítica sobre o sistema de justiça japonês, especialmente em casos envolvendo estrangeiros. A ausência de explicações públicas, a recusa em conceder entrevistas e o controle rígido de informações não podem ser naturalizados. A sociedade tem o direito de saber — e o jornalismo, o dever de questionar.

FONTE/CRÉDITOS: Da redação