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Domingo, 26 de Julho 2026
Justiça

Caso Maria Kusaba: RPJNEWS reabre reportagem após três anos

Reportagem traz novos elementos e reconstitui um dos episódios mais polêmicos da comunidade brasileira no Japão.

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Caso Maria Kusaba: RPJNEWS reabre reportagem após três anos
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-BREVE MATÉRIA COMPLETA NO CANAL DO YOUTUBE E NOVAS IMAGENS DO CASO MARIA KUSABA

No dia 12 de agosto de 2023, a RPJNEWS recebeu uma denúncia feita pela brasileira Maria Kusaba. Na ocasião, o repórter Beto Nagaki, que estava na região de Toyohashi, foi até a residência da denunciante para ouvir seu relato.

Maria encontrava-se profundamente abalada, em estado de choque e visivelmente trêmula. Antes mesmo da entrevista, a equipe prestou apoio emocional e, mesmo de forma improvisada, registrou seu depoimento para documentar o que havia acontecido.

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Com exclusividade, a RPJNEWS obteve imagens que mostravam uma agressão verbal praticada por um gerente de uma unidade da rede 7-Eleven, na cidade de Toyohashi. Inicialmente, o caso foi tratado como mais uma denúncia recebida pelo portal. No entanto, a reportagem ganhou enorme repercussão entre a comunidade brasileira no Japão, provocando debates, críticas, manifestações de seguidores e opiniões de influenciadores digitais.

O foco da reportagem sempre foi a postura agressiva do gerente e a forma como a brasileira foi tratada. Entretanto, a discussão acabou sendo desviada para outras questões relacionadas ao episódio, fazendo com que Maria Kusaba se tornasse alvo de um intenso julgamento nas redes sociais.

Além do trauma provocado pela agressão que motivou a denúncia, Maria passou a sofrer um verdadeiro massacre virtual, justamente por parte de brasileiros. Os ataques e ofensas recebidos ao longo dos anos aprofundaram seu sofrimento e deixaram marcas emocionais significativas.

Durante todo esse período, a RPJNEWS optou pelo silêncio, respeitando o momento vivido por Maria e atendendo ao seu pedido para que o caso não tivesse novos desdobramentos públicos. Paralelamente, a equipe reuniu documentos, informações da própria rede 7-Eleven e outros relatos relacionados ao episódio, material que permaneceu arquivado.

Agora, o caso volta a ganhar repercussão após uma publicação da página em páginas de Tv japonesa. Diante desse novo cenário, e mesmo sem ainda ter retomado contato com Maria Kusaba, a RPJNEWS decidiu revisitar a reportagem original.

O objetivo não é reacender polêmicas, mas apresentar os fatos de forma completa, contextualizada e responsável, esclarecendo pontos que permaneceram sem respostas e oferecendo ao público uma visão mais ampla do episódio.

O posicionamento da 7-Eleven Japan

Em nota enviada ao Bengoshi.com News, a 7-Eleven Japan esclareceu que a disponibilização de instalações sanitárias "faz parte do serviço" oferecido pela rede e afirmou que utilizar o banheiro sem realizar uma compra "não causa problemas imediatos".

A empresa também se pronunciou sobre a prisão do gerente envolvido em outro caso semelhante:

"Pedimos profundas desculpas pelo grande transtorno e preocupação causados aos nossos clientes e a todos os envolvidos devido à prisão de um de nossos gerentes de loja franqueada."

Entretanto, a rede informou que não comentaria detalhes do episódio por se tratar de uma investigação em andamento. A nota revelou ainda que já existiam reclamações anteriores envolvendo a conduta do gerente.

"Recebemos inúmeras reclamações de clientes a respeito do tratamento dispensado pelo gerente, e a matriz emitiu repetidamente advertências, orientações e fez diversas sugestões de melhoria."

A empresa acrescentou ainda:

"Continuaremos a confirmar os fatos e o andamento da investigação e levaremos este assunto a sério, tratando-o de forma apropriada."

Três fatos marcaram o caso

Para a RPJNEWS, o episódio envolvendo Maria Kusaba foi marcado por três acontecimentos de extrema gravidade: a agressão verbal praticada pelo funcionário da loja, a recusa em permitir o uso do banheiro e, posteriormente, o intenso ataque sofrido pela brasileira nas redes sociais, principalmente por parte de outros brasileiros.

Desde o início da apuração, a equipe tinha conhecimento de que, no Japão, japoneses e estrangeiros raramente precisam solicitar autorização para utilizar os banheiros das convenience stores, conhecidas popularmente como konbini. Esses estabelecimentos exercem uma importante função de apoio à população, atendendo motoristas, trabalhadores, idosos, turistas e pessoas em trânsito, desempenhando papel semelhante ao das paradas existentes nas rodovias brasileiras.

Também é importante esclarecer que a existência de sanitários nesses estabelecimentos não depende exclusivamente da vontade do comerciante. No Japão, as exigências variam conforme a legislação local e as normas municipais aplicáveis ao funcionamento dos estabelecimentos comerciais. Além disso, grandes redes como a 7-Eleven Japan possuem diretrizes internas de atendimento que, em regra, contemplam a disponibilização dos sanitários ao público.

Quando uma loja decide restringir o acesso ao banheiro, essa medida normalmente decorre de circunstâncias específicas daquela unidade, como problemas de segurança, vandalismo ou manutenção, e não representa, necessariamente, uma política institucional da rede.

Essa realidade é diferente de estabelecimentos cujo acesso aos sanitários é naturalmente restrito, como residências particulares ou determinados bares e restaurantes que reservam seus banheiros exclusivamente aos clientes.

Quando o assunto voltou às manchetes

Foram necessários dois episódios envolvendo cidadãos japoneses para que o tema voltasse ao centro do debate público, levando a 7-Eleven Japan a se manifestar oficialmente e fazendo com que diversos portais brasileiros repercutissem o assunto.

O primeiro caso envolveu uma mulher que, após ser impedida de utilizar o banheiro de uma loja de conveniência, urinou em frente ao balcão, próximo ao caixa. O episódio ganhou ampla repercussão na imprensa japonesa. Veja o vídeo

O segundo ocorreu na cidade de Utsunomiya, onde um casal de proprietários de uma loja de conveniência, ambos na faixa dos 40 anos, foi acusado de constranger um homem e uma mulher que utilizaram o banheiro do estabelecimento durante a madrugada de 13 de julho.

Segundo as investigações, após usarem o banheiro, os clientes decidiram comprar um doce. Mesmo assim, os proprietários teriam passado a ameaçá-los, afirmando frases como: "Vamos processá-los por danos", "Vamos mandar prendê-los" e "Não façam papel de bobo com as lojas de conveniência".

Na sequência, teriam exigido que os clientes fornecessem seus nomes, endereços e números de telefone. Os dois se recusaram, deixaram o local e registraram um boletim de ocorrência. O casal proprietário nega as acusações e afirma que não coagiu ninguém.

A mesma discussão, tratamentos diferentes

Os episódios recentes reacenderam um debate que, para a RPJNEWS, nunca deixou de existir. O caso de Maria Kusaba levantava exatamente a mesma questão: até que ponto um estabelecimento pode restringir o uso de um banheiro e, principalmente, qual é o limite para que essa negativa resulte em constrangimento, intimidação ou tratamento desrespeitoso ao cliente. Veja o vídeo de dona Maria:

No entanto, existe uma diferença que chama atenção.

Enquanto o caso de Maria foi amplamente desviado para uma discussão sobre o direito de utilizar o banheiro e acabou transformando a vítima em alvo de críticas e ataques virtuais, os episódios mais recentes passaram a ser tratados pela imprensa sob outra perspectiva: a conduta dos funcionários e dos proprietários das lojas.

Essa mudança de enfoque reforça a necessidade de revisitar a reportagem produzida em 2023.

A RPJNEWS não pretende reescrever a história, mas contextualizá-la à luz dos fatos que vieram à tona nos anos seguintes. O objetivo é esclarecer o que realmente aconteceu, apresentar informações que permaneceram arquivadas durante três anos e permitir que o público faça sua própria avaliação com base em todos os elementos disponíveis.

Em um momento em que novos casos voltam a ocupar as manchetes e a própria rede 7-Eleven reconhece a importância do tema, a reportagem original ganha uma nova dimensão. Mais do que discutir o uso de um banheiro, este caso trata de respeito, dignidade, atendimento ao público e das consequências que uma exposição precipitada pode causar na vida de uma pessoa.

Depois de três anos de silêncio, a RPJNEWS entende que chegou o momento de concluir esse capítulo da maneira como ele deveria ter sido tratado desde o início: com responsabilidade, contextualização, documentos, fatos e compromisso com a verdade.

Por- Beto Nagaki

FONTE/CRÉDITOS: Da redação

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