Um crime covarde e sangrento abalou a pacata cidade de Imari, na província de Saga, na noite da última sexta-feira, 26 de julho. Um homem invadiu uma residência no bairro de Higashiyamashiro-cho, esfaqueou duas mulheres da mesma família — mãe e filha —, matou uma delas e deixou a outra gravemente ferida. O criminoso está foragido, armado com a faca usada no ataque. A polícia trata o caso como roubo seguido de homicídio.

A vítima fatal foi identificada como Maiko Mukumoto, de 40 anos. Sua mãe, de cerca de 70 anos, também foi atacada, mas sobreviveu e foi encaminhada ao hospital. Segundo relatos, o suspeito teria tocado o interfone da casa e, assim que foi atendido, anunciou o assalto com palavras curtas e diretas: "Dinheiro!" e "Mostre a carteira!".

Até aí, uma tragédia por si só. Mas o que chama atenção — e levanta um baita sinal vermelho — é a velocidade com que começaram a pipocar manchetes e boatos destacando que o criminoso “seria estrangeiro”, mesmo sem confirmação oficial da nacionalidade.

Leia Também:

"Ele parecia estrangeiro", "era diferente", "tinha cabelo preto, camiseta escura, máscara..." — É, como se isso bastasse pra bater o martelo e sair rotulando.

A pressa em achar o culpado “de fora”

Com o suspeito ainda solto, sem identificação clara, já tem gente fazendo o de sempre: apontando o dedo pra estrangeiro. Em pleno Japão de 2025, onde o discurso xenofóbico ganha eco até em falas de políticos, usar “possível estrangeiro” como manchete não é só irresponsável — é perigoso. Alimenta o preconceito, cria pânico seletivo e reforça a velha ideia de que “violência vem de fora”, mesmo quando os dados mostram que o crime no Japão é majoritariamente interno.

E a pergunta que não quer calar: se fosse um japonês, será que o destaque seria o mesmo?

A descrição do suspeito, diga-se de passagem, é vaga: cabelos pretos, camiseta preta de manga curta, calça marrom e máscara. Se for por isso, quase metade da população japonesa entra no perfil.

Clima de tensão e alerta na vizinhança

Moradores do bairro relataram momentos de pânico. Um sistema de alto-falantes alertou a população:

"Houve um assassinato. O culpado não foi pego. Ele está armado."

A cidade entrou em alerta total, com a polícia realizando buscas e rondas reforçadas. Mas enquanto o trabalho da investigação corre, alguns meios de comunicação e pessoas nas redes parecem mais preocupados em achar um rosto “estrangeiro” pra colar o rótulo de vilão.

Preconceito não é justiça

Em casos assim, o certo é cobrar ação rápida e justiça — mas não julgamento precoce e preconceituoso. O verdadeiro criminoso precisa ser encontrado, julgado e punido. Mas alimentar desconfiança contra comunidades estrangeiras inteiras é jogar sujo e colocar inocentes na mira do preconceito.

No fim das contas, o respeito à vítima e à justiça começa por evitar linchamento verbal e manchete mal-intencionada. O sangue já foi derramado. Não é hora de espalhar veneno.

FONTE/CRÉDITOS: Da redação