O governo japonês está estudando um reajuste sem precedentes nas taxas cobradas de estrangeiros que desejam solicitar residência permanente ou alterar seu status migratório. Conforme revelado no programa “Bom! Manhã” desta sexta-feira (29/11/2025), a proposta inclui elevar a taxa atual de 10 mil ienes para até 300 mil ienes, um salto de 2.900%.

Outra mudança em discussão é o aumento das taxas de alteração ou renovação de status, que hoje custam 6 mil ienes, para 100 mil ienes — valor quase 17 vezes maior.

Segundo o governo, a nova receita seria destinada à “melhoria do ambiente de acolhimento de estrangeiros” e a ações de deportação de imigrantes ilegais. Mas, na prática, o anúncio escancarou mais uma contradição na política migratória conduzida pela primeira-ministra Sanae Takaichi.

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A retórica da inclusão versus a prática do aperto

Nos últimos meses, o discurso oficial tem oscilado entre a promessa de integração e a implementação de medidas que dificultam, encarecem ou restringem a vida de estrangeiros regulares — justamente aqueles que movem setores inteiros da economia japonesa.

Agora, o governo fala em “acolhimento” ao mesmo tempo em que cria barreiras financeiras que muitos trabalhadores jamais conseguiriam pagar. O resultado? Uma política que se vende como protetiva, mas que soa cada vez mais como uma mensagem de afastamento.

Um país dependente de mão de obra estrangeira — mas que cobra como se fosse luxo

É impossível ignorar o paradoxo: o Japão precisa de estrangeiros para sustentar suas fábricas, serviços e produção. Ao mesmo tempo, escolhe um caminho que restringe e onera justamente essa força de trabalho.

Transformar residência permanente em um produto de luxo — com taxa equivalente a quase um salário mensal completo para muitos trabalhadores — chama mais atenção para o paradoxo do que para qualquer política de “acolhimento”.

Para quem vale a conta?

À primeira vista, o governo tenta se justificar dizendo que as taxas japonesas são “baixas” em comparação com países ocidentais. Mas a comparação ignora realidades históricas, econômicas e sociais distintas — além do fato de que o Japão há décadas depende do fluxo migratório para equilibrar seu próprio mercado de trabalho.

Com esse tipo de medida, o recado é claro:
O país precisa de você, mas apenas até onde não incomoda e não custa para o Estado.

Análise RPJ News

É possível afirmar, sem rodeios, que esse aumento não mira os ilegais — mira os regulares. Mira o trabalhador que faz tudo certo. Mira quem paga impostos, mantém contrato, segue regras. Mira a parte da comunidade que deveria estar sendo fortalecida, não enfraquecida.

Chamam isso de “política de aceitação”.
Para muitos estrangeiros, porém, o nome parece outro:
cobrança, barreira e afastamento.

FONTE/CRÉDITOS: Da redação