Após a repercussão internacional da morte da brasileira Juliana Marins, de 26 anos, durante uma trilha no Monte Rinjani, na Indonésia, usuários indonésios reagiram com hostilidade às críticas de brasileiros ao governo local. As redes sociais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), especialmente o Instagram, foram "invadidas" por comentários irônicos e ofensivos, marcando o início de um embate digital entre internautas dos dois países.

Diversos brasileiros expressaram indignação com o que consideraram demora e ineficiência no resgate de Juliana, chegando a criticar publicamente o presidente da Indonésia, Prabowo Subianto. A pressão também foi ampliada pela divulgação de um vídeo oficial com informações contraditórias, que aumentou o sentimento de desconfiança sobre a transparência do processo.

A reação dos indonésios, no entanto, foi imediata — e ácida. “Sou de Sumatra, andando de balão, felizmente não queimado”, ironizou um usuário, em referência à tragédia ocorrida em Santa Catarina, onde oito pessoas morreram após a queda de um balão em junho. Outros comentários acusam os brasileiros de serem "barulhentos demais" e de se comportarem como se o mundo devesse explicações ao país.

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Frases como "Vão cuidar do seu próprio povo antes de criticar o nosso presidente" e "Coloquem o Brasil na lista negra" se repetem nos comentários das publicações mais recentes de Lula. A enxurrada de mensagens também questiona o tom das cobranças feitas ao governo indonésio, sugerindo que os brasileiros estariam ignorando seus próprios problemas internos enquanto apontam falhas alheias.

A jovem Juliana Marins foi localizada morta no dia 24 de junho, quatro dias após sofrer um acidente em uma trilha no vulcão. Apesar de alertas e localização enviada por turistas estrangeiros, o resgate demorou a acontecer. O episódio gerou forte comoção no Brasil e críticas ao Itamaraty, que inicialmente afirmou não poder custear o translado do corpo — papel assumido, posteriormente, pelo governo federal após mobilização de voluntários e da sociedade civil.

O episódio revela não apenas falhas no atendimento consular, mas também tensões diplomáticas latentes e o impacto das redes sociais na amplificação de crises internacionais, que hoje vão além dos gabinetes e ganham palco aberto — e muitas vezes hostil — nos perfis de autoridades.

FONTE/CRÉDITOS: Da redação