CIDADE DO VATICANO — Uma multidão estimada em 200 mil pessoas lotou a Praça de São Pedro neste sábado (data) para o funeral do Papa Francisco, em uma cerimônia que misturou solenidade ancestral e gestos simbólicos de ruptura, refletindo o papado transformador do primeiro pontífice latino-americano da história.

Um legado de inclusão ecoa na despedida

O cardeal italiano Giovanni Battista Re, que presidiu a missa, enfatizou o compromisso do falecido papa com os marginalizados:

Entre os presentes, contrastes marcantes:
• Donald Trump, cujas políticas migratórias colidiram com as do pontífice, prestou homenagens ao caixão;
• Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, foi ovacionado ao chegar, em meio a conversas sobre paz com representantes norte-americanos.

Rituais reformados e simbolismos

Fiel à sua busca por simplicidade, Francisco reescreveu partes do cerimonial fúnebre:
Caixão único de madeira com revestimento de zinco, abandonando os três caixões tradicionais;
Túmulo na Basílica de Santa Maria Maior, rompendo com a tradição de sepultamentos papais no Vaticano;
Inscrição minimalista — apenas "Franciscus" na lápide, sobre a qual pende uma réplica de sua humilde cruz de ferro.

Cena global na Praça São Pedro

Imagens aéreas revelaram um mosaico de cores:

  • Preto: trajes de chefes de Estado como Emmanuel Macron (França) e Alberto Fernández (Argentina);

  • Vermelho: vestes de 250 cardeais — muitos deles futuros eleitores do próximo papa;

  • Branco: 4 mil padres que acompanharam orações em 8 idiomas, incluindo árabe e chinês.

Freira Mary James, que acampou para garantir lugar, resumiu o sentimento: "Ele era um santo vivo, humilde e simples".

Segurança e transição

A Itália mobilizou seu maior aparato de segurança desde o funeral de João Paulo II (2005), com:
• Fechamento do espaço aéreo romano;
• Dispositivo antiaéreo e patrulhas navais.

A atenção agora se volta ao conclave, onde cardeais decidirão se mantêm o rumo reformista ou cedem a pressões conservadoras.

FONTE/CRÉDITOS: Reuters