O Japão voltou ao centro de um debate incômodo após a prisão do japonês Jun Hatano, de 75 anos, acusado de atropelar e matar Takanori Okada, de 41 anos, na cidade de Ryugasaki, província de Ibaraki. Ao ser interrogado, o suspeito afirmou: “Não pensei que fosse um ser humano”. A declaração, que por si só já causa perplexidade, levanta uma pergunta inevitável — e se fosse “apenas” um animal?

A questão ganha ainda mais peso quando lembramos do caso do brasileiro Carlos Casu. Na ocasião, sua cadelinha foi atropelada, e o condutor simplesmente deixou o local sem parar, mesmo não sendo culpa total do motorista, causou indignação pela frieza e a mentira da polícia. O episódio gerou revolta quando o brasileiro acionou a polícia e críticas de parcela da comunidade brasileira. Pouca atenção ao sofrimento do animal.

Quando um suspeito diz que pensou não se tratar de um ser humano, a reflexão vai além do choque inicial. Afinal, se fosse um animal — como no caso da cadelinha de Carlos Casu — qual seria o nível de responsabilidade assumido? Quantos casos passam despercebidos ou são tratados como de menor importância?

Leia Também:

Bastante contraditório, como em diversas situações recentes. A impressão que fica é de que o cuidado com animais de estimação nem sempre recebe a importância que se divulga. Em Okinawa, por exemplo, há várias denúncias de maus-tratos já relatadas pela RPJNEWS. O que se observa é que a imagem do Japão como país exemplar vem sendo questionada nos últimos anos — seja na economia, na sociedade, na política ou na educação. A ideia de respeito absoluto, justiça sempre imparcial, policiais sempre calmos e proteção plena aos animais muitas vezes fica apenas no discurso; na prática, a realidade pode ser bem diferente.

A repetição desses episódios evidencia uma distância crescente entre a narrativa de sociedade exemplar e a realidade enfrentada por estrangeiros e defensores da causa animal. Para muitos, o sentimento é de frustração diante da aparente seletividade na indignação pública e na resposta institucional.

No Brasil

Caso recente que comoveu todo o Brasil: a Polícia Civil de Santa Catarina concluiu a investigação sobre a morte do cão comunitário “Orelha”, que foi brutalmente agredido por adolescentes na Praia Brava. As autoridades intensificaram os esforços para responsabilizar os envolvidos, inclusive com a prisão de dois suspeitos que estavam no exterior.

Mais do que casos isolados, os episódios recentes apontam para a necessidade de uma discussão séria sobre responsabilidade, empatia e igualdade na aplicação da lei — seja a vítima um ser humano ou um animal que, para seu tutor, também representa parte da família.

FONTE/CRÉDITOS: Da redação