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Até o fechamento desta matéria, não há qualquer informação oficial sobre o paradeiro do brasileiro Kennedy Kashiwabara (38 anos, 1,65m, branco), desaparecido desde o dia 27 de dezembro na região de Ota-Gunma. Diante da escassez de detalhes e do mistério que cerca o caso, a equipe da RPJNEWS realizou uma investigação própria, confrontando depoimentos de colegas de trabalho, da ex-esposa e do empregador para montar o quebra-cabeça das últimas horas do desaparecido.
Contradições nas Datas e Comportamento Anormal
Diferente do que foi afirmado inicialmente por seu pai e irmão — que apontaram o dia 22 como a data do sumiço —, registros laborais confirmam que Kennedy trabalhou normalmente no dia 27. Wilian Martins, colega de trabalho, relatou à reportagem que não houve qualquer briga ou discussão na fábrica, mas ressaltou que o comportamento de Kennedy era visivelmente anormal.
Naquele dia, Kennedy alegou que alguém havia manipulado sua máquina. No entanto, as câmeras de segurança registraram que nada de errado ocorreu com o equipamento; as imagens, porém, flagraram o brasileiro correndo sem direção pelo salão da empresa. Martins afirmou ainda que Kennedy dizia estar "ouvindo vozes".
O Relato do Patrão: Confissões, Choro e Ameaças
O proprietário da empreiteira, Sr. Roni Akira, antecipou seu retorno das Filipinas para lidar com a situação. Roni confirmou que Kennedy saiu mais cedo no dia 27, bateu o ponto e foi embora. Mais tarde, encontraram-se em um bilhar.
"Ele me contou que não tomava banho há dois dias e ouvia vozes pedindo para ele matar o Fábio, um amigo antigo", revelou Roni.
O citado amigo, Fábio, sabia do estado psicológico de Kennedy e tentou ajudá-lo. Durante o encontro, Kennedy demonstrou paranoia ao dizer que estava sendo perseguido por colegas vietnamitas, mas desmentiu a afirmação logo em seguida, chegando a chorar durante a conversa. Roni destacou que ele era um funcionário exemplar e fazia 5 horas extras por dia. Com cerca de 500 mil ienes a receber do último salário, Kennedy pediu para ser entregue diretamente aos seus filhos.
Perfil e o Cenário em Oizumi-Shi
A ex-esposa de Kennedy, Sra. Tais, moradora em Oizumi, reforçou sua conduta ilibada: "Não fumava, não bebia e nunca cometeu um delito". Admitiu, contudo, que ele parecia depressivo às vezes, mas não pode confirmar com certeza. "Fomos casados por 17 anos, mas, desde a separação, não sei como ele andava ou se mudou seu comportamento", acrescentou. Tais disse ainda que ele possuía inclinação por games e pachinko, e que mantinha contato com o irmão, que está no Brasil.
A investigação tomou um rumo preocupante quando a polícia de Oizumi-Shi foi até a residência de Kennedy e encontrou o local em estado de abandono, com grande quantidade de lixo espalhado.
O Impasse Policial
A burocracia japonesa trava o avanço das buscas. Roni Akira esteve na delegacia de Ota-Shi, mas foi informado de que nenhuma informação seria repassada a terceiros, apenas à família direta. Contudo, o pai de Kennedy, Sr. Cassemiro (65 anos), de Achi-ken, ainda não compareceu à delegacia, alegando medo de perder o emprego devido à idade. O registro do desaparecimento foi feito em Oizumi.
Roni suspeita que Kennedy possa estar sob "custódia investigativa". No Japão, a polícia pode manter detidos incomunicáveis por longos períodos. "Se for isso, eu até fico aliviado", desabafou o patrão, na esperança de que ele esteja vivo sob custódia.
Quando o silêncio tenta se estabelecer — burocracia das autoridades — nossa preocupação aumenta e nossa investigação se torna ainda mais incisiva. A RPJNEWS destaca que o sistema prisional japonês é alvo de críticas internacionais de direitos humanos por seus métodos interrogatórios e leis consideradas ultrapassadas. Já se passaram 15 dias, até o fechamento desta matéria, de silêncio absoluto.
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