FUKUOKA, JAPÃO – Em um cenário eleitoral cada vez mais acirrado, o líder do Partido Democrático Constitucional do Japão (CDPJ) e ex-primeiro-ministro, Yoshihiko Noda, intensificou suas críticas ao governista Partido Liberal Democrata (PLD). Noda não poupou palavras ao atacar a promessa do PLD de "zero estrangeiros ilegais" em seu manifesto eleitoral para a Câmara dos Vereadores, acusando o partido de ser "incentivado demais pelo 'Japonês Primeiro'" – um lema do populista Partido Sanseito.

"Não é bom enfatizar a frase 'estrangeiros ilegais'", afirmou Noda a um grupo de repórteres na cidade de Fukuoka, no dia 18, ao comentar a escalada da retórica anti-imigração.

Crimes e Xenofobia: Os Pontos de Conflito na Eleição

A forma de lidar com crimes e perturbações supostamente cometidos por alguns residentes estrangeiros tornou-se um dos principais pontos de discórdia nas eleições para a Câmara dos Vereadores. A polêmica cresceu após o governo estabelecer, no dia 15, um novo centro de comando para a política externa, focado em questões relacionadas a estrangeiros.

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Noda, no entanto, fez questão de ressaltar a importância de se combater a desinformação e a xenofobia. "Os japoneses também não devem fazer nada ilegal. O número de estrangeiros presos por crimes é menor, então não devemos incitar as pessoas com informações falsas", alertou, em uma clara tentativa de frear os discursos que buscam polarizar a população.

Suas críticas ao PLD são contundentes: "Vamos acabar com um PLD que nem sequer tenta ficar do lado das pessoas comuns em primeiro lugar", declarou, lembrando os eleitores da polêmica declaração de Yosuke Tsuruho, membro sênior do PLD, que descreveu um terremoto de 2024 no centro do Japão como "afortunado". A postura de Noda busca descolar a oposição da onda populista e nacionalista, propondo um debate mais equilibrado sobre a questão dos estrangeiros e o futuro do Japão.

FONTE/CRÉDITOS: Da redação