Moradores se reuniram em Tóquio, na sexta-feira, para protestar contra a desinformação e o aumento da discriminação contra estrangeiros, marcando o início simbólico da campanha para as eleições gerais de 8 de fevereiro. O ato ocorre em um contexto de crescente tensão política e social, no qual a presença de estrangeiros passou a ser tratada como tema central do debate eleitoral.

As políticas voltadas a imigrantes ganharam ainda mais visibilidade desde as últimas eleições nacionais, realizadas no verão passado, especialmente com a ascensão do partido marginal Sanseito. A legenda tem defendido o slogan “Japoneses Primeiro” e propostas que críticos classificam como abertamente xenófobas, alimentando discursos de exclusão e hostilidade contra comunidades estrangeiras.

O comício foi organizado por um grupo cívico formado por advogados e professores universitários, que demonstraram preocupação com a possibilidade de a campanha eleitoral ser dominada por narrativas baseadas em medo, desinformação e preconceito. Os participantes pediram “uma sociedade em que todos sejam respeitados”, independentemente de nacionalidade ou origem.

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“Precisamos dar visibilidade às vozes dos cidadãos que se opõem a candidatos que tentam vencer eleições por meio de informações falsas e da discriminação”, afirmou a advogada Keiko Ota, uma das organizadoras do evento, realizado em frente à movimentada estação JR Shinjuku.

Kihei Maekawa, ex-alto funcionário do Ministério da Educação, foi ainda mais direto ao criticar o governo liderado pela primeira-ministra Sanae Takaichi. Segundo ele, o Executivo tenta angariar apoio popular “tratando os estrangeiros que vivem no Japão como um incômodo”, o que contribui para legitimar atitudes discriminatórias e aprofundar divisões sociais.

Takaichi, conhecida por sua postura conservadora rígida, convocou eleições para a Câmara dos Representantes com o objetivo de obter um mandato popular para a coligação governamental formada há três meses entre o Partido Liberal Democrático (PLD) e o Partido da Inovação do Japão. As promessas de campanha do PLD sinalizam um endurecimento em temas ligados a estrangeiros, como a repressão à permanência irregular após o vencimento do visto.

Durante o ato, foi lida uma mensagem do ex-primeiro-ministro Shigeru Ishiba, antecessor de Takaichi e também membro do PLD, em tom crítico ao rumo do debate político.

“A verdadeira essência do conservadorismo reside numa atitude sincera e tolerante, que não permite preconceito ou discriminação, respeita os outros e escuta humildemente opiniões divergentes”, afirmou Ishiba.

Os protestos evidenciam que, em meio à disputa eleitoral, cresce a preocupação de que o discurso xenófobo deixe de ser marginal e passe a ocupar o centro da política japonesa, com impactos diretos sobre milhões de estrangeiros que vivem, trabalham e contribuem para a sociedade no país.

FONTE/CRÉDITOS: KYODO NEWS