Em meio à comoção e à revolta que tomaram conta das redes sociais após a trágica morte da brasileira Juliana Marins, de 24 anos, na Indonésia, um gesto de humanidade se destacou: o ex-jogador Alexandre Pato ofereceu apoio financeiro à família da jovem para viabilizar o traslado do corpo ao Brasil.
A informação foi confirmada nesta quarta-feira (26) pela assessoria do SBT, emissora na qual Pato atua atualmente como comentarista esportivo. Segundo o comunicado, o atleta entrou diretamente em contato com os familiares de Juliana e, de forma discreta, se colocou à disposição para arcar com os custos da repatriação.
Ausência do Estado, presença dos voluntários
A atitude de Pato contrasta fortemente com a postura do Itamaraty, que declarou à família que não poderia arcar com os custos do traslado, alegando uma limitação prevista em lei. A notícia gerou revolta entre os brasileiros nas redes, levantando a velha e incômoda pergunta: “Para onde vai o dinheiro dos nossos impostos?”
Desde o início do caso, foram voluntários indonésios e cidadãos comuns que mostraram mais agilidade e empatia do que governos. O alpinista local Agam e outros civis, por exemplo, foram os primeiros a atuar de forma prática no resgate, contrastando com a demora e ineficiência das autoridades tanto da Indonésia quanto do Brasil.
Juliana, natural de Niterói (RJ), estava em viagem pela Ásia desde fevereiro e sofreu um acidente no Monte Rinjani, na Indonésia, na última sexta-feira (20). Seu corpo foi localizado apenas na terça-feira (24), depois de quatro dias de apelos da família, amigos e turistas que testemunharam o ocorrido e compartilharam localização exata, fotos e vídeos com drones.
Diplomacia em crise e um governo que falha fora de casa
A omissão do Estado brasileiro nesse tipo de tragédia não é novidade, mas segue inaceitável. Casos como o de Juliana evidenciam uma diplomacia fraca, burocrática e desconectada das necessidades reais dos cidadãos brasileiros no exterior. O apoio material e logístico em situações de emergência deveria ser prioridade absoluta — especialmente quando vidas estão em risco ou já se perderam.
A solidariedade de Alexandre Pato não apenas honra a memória de Juliana, como também expõe, com ainda mais clareza, a fragilidade do aparato institucional que deveria proteger os brasileiros fora do país.
Enquanto o Estado se esconde atrás de legislações e formalidades, quem se move são os civis, os voluntários, os indignados — e, neste caso, um ex-jogador de futebol.
Fonte/Créditos: Da redação
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