KAKAMIGAHARA, GIFU – O que era para ser apenas um momento de espera virou um pesadelo de injustiça e impunidade para uma família brasileira na cidade de Kakamigahara. Daniela dos Santos, de 33 anos, estava estacionada tranquilamente ao lado da Escola de Ensino Fundamental Kawashima, acompanhada da filha de 17 anos, aguardando o horário de trabalho. Foi quando o sossego acabou em uma pancada violenta.

A professora japonesa Ono Miyo, visivelmente atrasada para lecionar, manobrou seu veículo de ré e atingiu em cheio o parachoque traseiro do carro da brasileira. A batida foi tão forte que Daniela sofreu lesões no pescoço. Mas o que veio depois foi ainda pior que a dor física: uma rede de mentiras que envolve a direção da escola e as autoridades locais.

MENTIRA TEM PERNA CURTA: A "VIATURA INVISÍVEL"

Segundo os relatos, a professora Ono Miyo desceu do carro apenas para pedir desculpas e soltou uma desculpa esfarrapada: disse que ligou para o 110 (a polícia japonesa), mas que não havia viaturas disponíveis no momento. Com pressa para entrar na sala de aula, ela simplesmente abandonou a vítima no local e correu para a escola.

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Rafael Silva, marido de Daniela, não esconde a indignação. "Eu nunca vi esse negócio de chamar a polícia e não ter viatura disponível, ainda mais em um acidente dentro da escola. Acredito que a vice-diretora também fez parte dessa armação", desabafou Rafael. Daniela, que não domina o idioma japonês, ficou sem saber como reagir e foi orientada a voltar ao local apenas horas depois, às 16h.

POLÍCIA NO "Diz Que Me Diz" E SEM PERÍCIA NO LOCAL

Quando Daniela finalmente conseguiu falar com as autoridades, a decepção foi total. Em vez de realizarem a simulação oficial no local do acidente (o chamado Gemba Kenshô), a polícia preferiu o isolamento. Ouviram a brasileira em uma sala e a professora em outra. Sem perícia, sem reconstituição, a palavra da japonesa prevaleceu.

O resultado dessa "investigação" foi um soco no estômago da comunidade brasileira: a seguradora Aioi Sompo Japan, que atende ambas as partes, deu 80% de culpa para Daniela e apenas 20% para a professora. Ou seja, a vítima, que estava com o carro parado, agora é a principal culpada pelo prejuízo.

ESCANTEIO E BARRACO NA PORTA DA ESCOLA

A equipe da RPJNEWS, liderada pelo repórter e tradutor Toshio Sudo, foi até a escola Kawashima cobrar explicações. O clima esquentou! Tentaram impedir a entrada da reportagem com seguranças e uma professora "barrando" a equipe. Só depois de muita pressão, o diretor Ogawa Takayuki resolveu dar as caras, mas para mentir: tentou dizer que o estacionamento nem pertencia à escola.

Quando questionado sobre as imagens das câmeras de segurança, o diretor desconversou. Ficou claro o jogo de proteção para esconder o erro da professora que agiu de má-fé, tirou a brasileira do local e mentiu sobre a chamada policial.

O caso levanta uma questão urgente sobre a suposta honestidade nipônica quando o assunto envolve estrangeiros. Enquanto Daniela sofre com as dores no pescoço e o prejuízo no bolso, a professora Ono Miyo segue dando aulas como se nada tivesse acontecido, protegida por um sistema que, neste caso, escolheu o lado da mentira.

FONTE/CRÉDITOS: Da redação