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Em um país com inúmeros desafios sociais e dimensões continentais, o Sistema Único de Saúde (SUS) é, sem dúvida, uma das maiores conquistas do povo brasileiro. Criado para garantir o acesso universal, gratuito e integral à saúde, o SUS atende diariamente milhões de pessoas — do interior mais remoto às grandes capitais. Essa realidade, muitas vezes subestimada dentro do próprio país, começa a ganhar o reconhecimento que merece no cenário internacional.
Um exemplo emblemático veio recentemente do jornalista Terrence McCoy, correspondente do The Washington Post, um dos principais jornais dos Estados Unidos. Durante férias em Paraty (RJ), McCoy sofreu um acidente ao bater a cabeça na porta do porta-malas do carro. O ferimento exigiu atendimento de urgência, e ele foi levado a um hospital público da cidade.
Aquilo que, nos Estados Unidos, poderia se transformar em um pesadelo financeiro, revelou-se uma experiência marcada pela eficiência, rapidez e humanidade do SUS. Ele recebeu atendimento imediato, com ambulância, tomografia, exames, sutura e medicação — tudo sem qualquer custo.
“O contraste com o sistema americano foi evidente, não pelo que os funcionários do hospital perguntaram, mas pelo que não perguntaram.
Ninguém pediu nosso seguro de saúde. Ninguém sequer pediu número de CPF”, relatou McCoy.
“Seis horas depois, após uma ambulância, tomografia, raio-X craniano e seis pontos na cabeça, tive minha resposta: US$ 0.”
Nos EUA, um atendimento semelhante custaria em torno de US$ 10 mil (mais de R$ 50 mil). No Brasil, McCoy saiu do hospital não com uma dívida, mas com respeito por um sistema que trata a saúde como um direito e não como um privilégio.
Um Patrimônio Público em Movimento
O SUS não se limita a atendimentos de urgência. Ele é responsável por vacinação em massa, tratamento de doenças crônicas, transplantes de órgãos, cirurgias de alta complexidade, prevenção e uma robusta rede de atenção básica à saúde. Hospitais públicos como o Hospital das Clínicas (USP), o InCor, o Hospital de Amor (Barretos), o HCPA (RS) e o Hospital de Base (DF) são referências internacionais em atendimento, ensino e pesquisa.
Além disso, o sistema atende mais de 215 milhões de brasileiros e cerca de 2 milhões de estrangeiros residentes, com igualdade de acesso garantida pela Constituição Federal de 1988, que determina:
“A saúde é direito de todos e dever do Estado.”
Reconhecimento Que Vem de Fora
Para Terrence McCoy, a experiência foi reveladora. Em um país como os EUA, onde o acesso à saúde depende diretamente da capacidade de pagar ou do tipo de seguro que se possui, ele encontrou no Brasil um sistema baseado em solidariedade e compromisso social.
E o elogio de McCoy não é isolado. Diversas organizações internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), já reconheceram o SUS como um dos maiores e mais inclusivos sistemas públicos de saúde do mundo — mesmo enfrentando desafios complexos para atender a uma população de dimensões continentais.
Conclusão: Um Gigante que Precisa Ser Fortalecido
O SUS não tem falhas estruturais em sua concepção — ele enfrenta desafios naturais diante da gigantesca demanda e dos limites de investimento público. Ainda assim, seu impacto social é inegável e sua existência é motivo de orgulho para o Brasil. Como mostrou a experiência de McCoy, muitos países ricos ainda não conseguem oferecer a seus cidadãos o que o SUS garante diariamente no Brasil.
Mais do que nunca, é preciso valorizar, proteger e investir no SUS. Porque, em um mundo onde a saúde se tornou mercadoria, o Brasil segue afirmando: a vida vem antes do lucro.
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