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O Ministro da Agricultura, Florestas e Pescas do Japão, Taku Eto, declarou neste sábado (18) que nunca precisou comprar arroz, pois recebe grandes quantidades doadas por seus apoiadores. A fala ocorreu durante um seminário político e econômico organizado pela federação local do Partido Liberal Democrático, na cidade de Saga, província homônima.
Ao comentar sobre o arroz polido, produto básico na alimentação japonesa, Eto afirmou de forma direta:
¨Para ser sincero, eu também nunca comprei arroz. Os apoiadores nos dão muito. Temos tanto na despensa que poderíamos vender. É difícil até receber tudo¨disse, durante o evento.
Segundo o ministro, a variedade de tipos e condições do arroz doado exige cuidados extras em casa.
¨Não é feito de propósito, mas vem tudo misturado: arroz preto, pedras e outras coisas. Então minha esposa espalha o arroz que recebemos, e depois polimos em casa antes de levar ao polidor de arroz¨ explicou.
A fala ganhou repercussão diante da atual alta nos preços do arroz no mercado japonês, cenário que afeta diretamente o consumidor comum. Eto comentou brevemente sobre o tema¨Sinto-me muito responsável por essa situação¨.
A fala do ministro Taku Eto caiu como uma bomba nas redes sociais. Para muitos internautas, o comentário escancarou uma desconexão preocupante entre os representantes do alto escalão político e a realidade enfrentada por milhões de japoneses. Em um momento de inflação e aumento no custo dos alimentos, ouvir de um ministro que nunca comprou arroz porque recebe em excesso dos apoiadores soou, no mínimo, insensível.
“Enquanto o povo economiza até no supermercado, ele fala que a despensa está tão cheia que dá pra vender?”, escreveu um usuário no X (antigo Twitter). Outros apontaram que a fala, ainda que informal, expõe um sistema de trocas políticas não transparente, baseado em doações de bens, algo que, para parte da opinião pública, beira o favorecimento indevido.
A declaração também levantou questionamentos sobre o compromisso do governo com os problemas do cidadão comum. Afinal, como propor políticas públicas eficazes para regular o mercado de alimentos se quem o lidera vive cercado de privilégios?
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